Repartir os bônus e os ônus

Nos atuais momentos difíceis que atravessam os hospitais filantrópicos, quando sabidamente o poder público não valoriza e não remunera as atividades de saúde de acordo com o seu real custo, somente uma ação conjugada, inteligente e verdadeiramente parceira entre os administradores e os profissionais da medicina conseguirá manter abertos esses hospitais.

Como administrador, no momento provedor da Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de Curitiba, reitor da PUCPR e gestor de outras instituições filantrópicas de saúde, devo lembrar aos médicos que para o exercício da boa medicina é indispensável que existam hospitais, e bons hospitais. Aliás, foi para isso que eles foram criados. Isso significa dizer que tanto os hospitais precisam dos médicos quanto os médicos precisam dos hospitais. Significa também afirmar que, como em toda parceria saudável, é preciso tanto repartir os bônus quanto os ônus.

Os médicos não se manterão bem se os hospitais onde trabalham forem mal. A Santa Casa, instituição benemérita que por mais de 150 anos atende a população carente desta cidade e deste estado, que, como qualquer um de nós tem direito à vida e à saúde, só não fechou as suas portas porque a PUCPR lhe deu as mãos para juntas lutarem. A solução definitiva desse hospital mais facilmente será encontrada quando todos, sem exceção, estivermos imbuídos dos nobres ideais que deram origem e mantiveram ativa essa instituição, berço da medicina paranaense.

Como beneficiário da medicina, quero deixar público o meu depoimento sensibilizado. Não fosse pela intervenção da medicina, pela dedicação dos médicos e enfermeiras, eu já não me encontraria vivo a lhes falar e escrever neste momento. Daí a minha gratidão perene aos profissionais da saúde que cuidaram de mim e aos hospitais onde fui tratado quando me encontrava gravemente enfermo. Eu posso, de cadeira, testemunhar o valor dessa nobre profissão e o bem que o seu correto e dedicado exercício garante às pessoas. Isso acresce ainda mais a admiração que tenho pelos profissionais da saúde e a valorização que dedico às instituições hospitalares, sobretudo às filantrópicas.

Também é oportuno refletir sobre a imagem do Bom Samaritano, que se devota caridosamente a curar as feridas de um viajante, vítima de assaltantes, que jazia à beira da estrada, por excelência o ícone do verdadeiro cristão. Servir o próximo em suas necessidades por amor a Deus é o grande mandamento do cristianismo, pois todos somos criaturas feitas à imagem e semelhança de Deus. Bem sabemos que foi por boas razões que a data escolhida para celebrar o Dia do Médico foi o dia da festa do evangelista São Lucas, 18 de outubro. Deus lhes pague pelo bem que fazem às pessoas.

Clemente Ivo Juliatto é reitor da PUCPR, provedor da Santa Casa de Curitiba e integrante da Academia Paranaense de Letras.

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