Se fosse no Brasil, teria aquele comentário preconceituoso -”também, é o Brasil…”. Mas dois dos principais líderes mundiais tiveram que renunciar no final de semana: o primeiro-ministro de Israel, Ehud Olmert, e o presidente da África do Sul, Thabo Mbeki. Ambos em circunstâncias constrangedoras para ele e para seus países, que vivem momentos de plenitude democrática e de crescimento econômico. Só que, lá como cá, a corrupção e a briga de interesses são fatais para os governantes.

continua após a publicidade

Acontecer o que aconteceu na África do Sul provoca surpresa e desencanto. Após anos de apartheid, o país mostrou maturidade na transição para a liberdade e a democracia na eleição de Nelson Mandela, talvez um dos fatos culminantes do século passado. Ele foi sucedido por Mbeki, um dos mais preparados nomes do Congresso Nacional Africano (CNA), o partido que hoje tem maioria na África do Sul.

Mas o presidente entrou de cabeça em uma crise sem precedentes no país. Ele permitiu que se fizesse investigação sobre o líder do CNA, Jacob Zuma, acusado de corrupção. E Zuma foi considerado inocente – e, mais tarde, descobriu-se que Mbeki teria tentado influenciar o processo. Sua credibilidade foi no chão e ele foi forçado pelo partido a renunciar. A nomeação de Kgalema Motlanthe tenta abafar o caso, mas é tarde.

Em Israel, a corrupção foi grande – pelo menos é o que se apresenta nas investigações. O país chocou o mundo quando teve seu primeiro-ministro Ehud Olmert sendo convocado para dar explicações em frente a um juiz. E não foi apenas uma vez. Olmert foi mais duas vezes, colocando o Estado de Israel em uma crise institucional surpreendente.

continua após a publicidade

Era inevitável sua renúncia, apresentada oficialmente no domingo. O presidente de Israel, Shimon Peres, foi o responsável por conduzir a rápida transição, indicando Tzipi Livni como primeira-ministra – a segunda na função naquele país (a outra foi Golda Meir). Sorte dos israelenses em terem um mestre da política e da conciliação como Shimon Peres como seu chefe de Estado.