A conquista de respeito, confiabilidade e apoio quase unânimes dos cidadãos eleitores é hoje em dia – patrimônio desfrutado por número cada vez mais reduzido de homens e mulheres que optaram pela chamada vida pública. Para isso contribuem vários fatores, dentre eles o histórico familiar recheado de experiências políticas, a vocação de servir depurada pelo exercício de mandatos populares e, acima de qualquer outro valor, um caráter que não se permita embair pelo brilho enganoso do poder, mas que se conduza pelo marco inabalável da lealdade.
São estes os traços que mais se acentuam quando alguém se dispõe a observar detidamente a personalidade do prefeito Beto Richa (PSDB), cuja reeleição a cada dia torna mais distante a necessidade de segundo turno, tábua de salvação a que se agarram com a ineludível sensação de afundamento iminente, os três candidatos empolgados por um imaginário cacife eleitoral, que acabou se esvaindo, que fizeram todo o possível para evitar a derrota acachapante no dia 5 de outubro. Não seria ocioso reconhecer o mérito do esforço pessoal dos candidatos inscritos pelo PT, PTB e PMDB que, em determinados momentos, passou a ser subscrito por todos com o objetivo comum de conferir um tom emocional e cativante à tese do segundo turno, pela simples e boa razão de que não seria demasiado conceder à cidade vinte dias a mais para o aprofundamento do debate em torno da problemática mais urgente.
Ao que parece, a maioria dos eleitores sequer tomou conhecimento da proposta, e a mesma acabou se transformando por via subliminar num incisivo apelo a favor do voto útil, numa última tentativa lançada pela coordenação de comunicação da campanha da candidata petista Gleisi Hoffmann.
Enquanto isso, Beto começa a vivenciar nova e justificada etapa de sua carreira na vida pública, ao ocupar o espaço que fez por merecer entre as figuras nacionais da social-democracia. A grande imprensa, como não poderia ser de outra maneira, teve sua atenção despertada para os elevadíssimos índices de aprovação popular e intenção de votos do prefeito curitibano. No último domingo, Beto foi destacado pelo jornal carioca O Globo como o detentor “do melhor desempenho entre os candidatos que disputam a prefeitura em todo o País”. A matéria acrescenta que Beto é herdeiro político do pai, o ex-governador José Richa, “uma das figuras mais expressivas do dito MDB velho de guerra’ e fundador do PSDB”.
Numa alfinetada aos políticos que mancharam sua reputação pelo ódio destilado em relação aos adversários, aos quais reputam perfidamente como inimigos, o prefeito Beto Richa revelou na entrevista que “o governante tem que ser o primeiro a dar o exemplo da conciliação, da serenidade, do equilíbrio e, acima de tudo, do respeito”. Aliás, uma análise estritamente fiel do que ocorre atualmente numa vistosa instalação bastante próxima do paço municipal e também reservada a um gestor público.
A margem confortável superior a 70% das intenções de votos que se repetiu ao longo da campanha e, para desespero dos oponentes, confirmada pelas pesquisas alternadas dos institutos Datafolha, Ibope e Vox Populi, segundo o prefeito, está amparada na gestão democrática, pois “não há mais espaço na política moderna para decisões impostas”. Beto está convencido do acerto do caminho que resolveu trilhar: “Acredito que esta franqueza e transparência consolidaram uma relação de muita confiança entre o poder público e as pessoas. Não é agora que, com ataques levianos, vão conseguir desconstruir essa relação”.
Os mais experientes são levados a reconhecer uma agradável surpresa: o jovem prefeito aproveitou o legado que o rodeava para lançar o alicerce duma carreira vitoriosa. E ainda com bagagem e tempo para ministrar fecundas lições aos réprobos.