Por mais que esta possibilidade pareça afastada, ainda vivemos com a sombra e o receio de um apagão energético, tal como aconteceu no início da década. Quem viveu – e sofreu – não tem a menor saudade de um período em que empresas e pessoas físicas eram obrigadas a abdicar da energia elétrica por causa da falta de chuvas e da consequente queda na produção. Sem estiagens, não corremos riscos. Mas é sempre bom ter cuidado. E investir.
É isso que se espera das concessionárias de energia elétrica (algumas delas privatizadas) e do governo federal. Em entrevista à edição de domingo de O Estado, o presidente da Companhia Paranaense de Energia (Copel), Rubens Ghilardi, falou exatamente da necessidade de construção de novas usinas hidrelétricas, e reclamou da dificuldade de concessão de licenças ambientais e da “marcação” dos ambientalistas.
Disse Ghilardi: “É difícil de entender porque não se preocupam com energia térmica. Não se vê ambientalista falando mal de usina a carvão, a gás. Mas de hidrelétrica, sim. Eu gostaria que os ambientalistas analisassem um pouco mais para onde estão levando o País, em termos de meio ambiente, de custo. (…) Os filhos deles vão viver aqui e respirar esse ar que está aí. Com as usinas térmicas, não sei se vai ser esse mesmo ar. O ambientalista tem que se preocupar com isso também”.
Faz certo sentido a manifestação do presidente da Copel. Não somente no Paraná, mas também em outros estados, há muita dificuldade para construir as usinas hidrelétricas. O Ministério das Minas e Energia está em uma queda-de-braço com o Ministério do Meio Ambiente por conta de obras na região amazônica. E, realmente, o impacto da produção da energia em hidrelétricas é muito menor que de usinas a carvão, a gás ou mesmo usinas nucleares.
Mas a intervenção de uma grande usina é brutal – é só lembrarmos a mudança que aconteceu em toda a região oeste do Estado durante a construção de Itaipu. Mas estaríamos como, se não existisse a maior hidrelétrica do mundo? É por isso que é necessário pesar a realidade energética com o interesse ambiental.