Governadores que integram o quadro partidário do PMDB não estão dispostos a engrossar a fila dos que concordam com a proposta de aliança com o PT com vistas às eleições de 2010. Os comentários sobre os quais não pairam a menor dúvida asseguram que a tal aliança é mais um dos componente da trama palaciana para preservar a continuidade do mandato do senador José Sarney na presidência do Senado da República.
A complicação estaria nos estados da região Sul, tendo em vista a resistência mais ou menos mutante dos governadores Roberto Requião (PR) e Luiz Henrique da Silveira (SC) em sentar à mesa com os petistas para a celebração de um acordo político rentável para todos. Aparentemente a maior dificuldade está no Mato Grosso do Sul, onde o governador André Pucinelli está praticamente acertado com o pré-candidato tucano José Serra. Assim, a montagem de palanques fortes para a campanha da ministra Dilma Rousseff (e a salvação de Sarney) estão na dependência de pormenores relevantes como a idiossincrasia dos governadores.
No caso específico do Paraná, mesmo que ainda estejamos distantes da data das eleições, o que se propaga é que todas as probabilidades favorecem a coligação do PT com o PDT do senador Osmar Dias, um dos postulantes mais expressivos ao cargo de governador. Aliás, a alternativa de aliança com o PDT é uma sugestão do próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que além de garantir um reforço para a campanha da ministra Dilma Rousseff, poderia sonhar com a eleição do vice-governador e da ex-candidata a prefeita de Curitiba Gleisi Hoffmann para o Senado. Pressentindo o risco de ficar de fora, como um peru aparvalhado, o PMDB já anunciou a pretensão de estabelecer um entendimento com a executiva regional do PT, a fim de reforçar os laços até aqui existentes entre ambas as agremiações. A diferença de momento é que o PT jamais participou como protagonista dos acertos partidários com o PMDB, nas campanhas anteriores de Roberto Requião, contentando-se com alguns cargos na estrutura do governo.
Talvez para sanar a postura arrogante de comportamentos ainda recentes na memória de todos, o PMDB julga purgar seus pecados mediante o oferecimento ao PT da vaga de vice-governador na chapa de Orlando Pessuti, além de abrir para Gleisi Hoffmann a possibilidade de chegar ao Senado fazendo campanha ao lado do próprio Requião. De qualquer forma, o PMDB não parece inclinado aceitar outro candidato a governador senão o vice atual, Orlando Pessuti. Analisada a questão friamente, o PT poderia alegar que também dispõe de excelentes nomes para disputar o governo, dentre eles o ministro Paulo Bernardo (Planejamento) e Jorge Samek (diretor-geral de Itaipu), um argumento que daqui para a frente terá maior cacife nas negociações, se por acaso as chances eleitorais de Pessuti não conseguirem ultrapassar o raso potencial atualmente medido pelas pesquisas de intenções de voto.
Outro aspecto que poderá contribuir para tornar inviável a aliança PMDB-PT no Paraná, mesmo que Requião não tenha simpatia pela candidatura do tucano José Serra, é a incerteza que mantém sobre o desempenho de Dilma numa campanha presidencial tão disputada quanto será a próxima. Apesar da visão maniqueísta do processo político, o governador não chega a ser tão estulto a ponto de arriscar o pescoço numa jogada temerária. Ao que se sabe, o egocentrismo de Requião somente lhe franqueia esse tipo de desatino na estrita esfera paroquiana, tais como a quixotesca tentativa de eleger o ex-reitor da Universidade Federal do Paraná (UFPR) Carlos Augusto Moreira Júnior para a prefeitura de Curitiba e seu fiel escudeiro Doático Santos para a Câmara de Vereadores. Duas derrotas acachapantes que o governador, espertamente, já mandou apagar do currículo.
Como não existem verdades absolutas em política, sabemos todos, o governador dá uma no cravo e outra na ferradura e, ao mesmo tempo que acusa o prefeito Beto Richa, candidato mais forte do PSDB ao governo estadual, brinda com afagos diários os seis deputados tucanos que oficiosamente integram sua base política na Assembleia Legislativa do Paraná. Aliás, Requião entregou uma secretaria de Estado (Trabalho) a um desses parlamentares, que chamado às falas pelo partido prometeu deixar a pasta até o final do mês. O PT levou vantagem na repartição das benesses, pois recebeu três secretarias (Planejamento, Agricultura e Ciência e Tecnologia), bem como uma quantidade imensa de nomeações para cargos na administração estadual. A questão ainda está em aberto.