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Dois candidatos a prefeito nas duas maiores cidades brasileiras, São Paulo e Rio de Janeiro, pelo espetacular retrospecto eleitoral do último domingo pontificam nas primeiras páginas dos jornais: Gilberto Kassab (DEM), atual prefeito paulistano que concorre à reeleição, e o deputado federal Fernando Gabeira (PV). Na reta final das campanhas ambos dispararam para cima dos segundos colocados, Geraldo Alckmin (SP) e Marcelo Crivella (RJ) e os ultrapassaram, conquistando uma das vagas do segundo turno.

No caso da eleição paulistana, o êxito de Gilberto Kassab foi ainda mais emocionante, pois desde o início da contagem dos votos, o atual prefeito arrancou na frente da candidata petista Marta Suplicy, que durante todo o tempo liderara as pesquisas de intenção de votos e pulara em primeiro lugar na pesquisa boca-de-urna. Porém, os números finais indicaram a vitória parcial de Kassab pela pequena margem de 33,61% a 32,79%. Geraldo Alckmin (PSDB) recebeu 22,48% dos votos e Paulo Maluf (PP), 5,91%, resultado que poderá significar o virtual encerramento da carreira política do discutido homem público.

As primeiras simulações para o segundo turno em São Paulo pendem para o lado do atual prefeito, que espera contar com o apoio decidido da banda tucana que tentou dar sustentação às asas de Geraldo Alckmin no vôo do primeiro turno. Agora, o próprio governador José Serra não terá motivos para ficar em plano secundário na campanha, já que seu interesse imediato é solidificar a coligação com o Democratas, de olhos postos no horizonte cada vez mais próximo de 2010. O governador certamente não cederia à soberba de desprezar o extraordinário alento para trabalhar com afinco pelo amadurecimento de sua candidatura à sucessão presidencial. O favoritismo do governador paulista como provável líder da chapa tucana à presidência da República, tornou-se mais evidenciado com os resultados sofríveis logrados pelo governador Aécio Neves, em Minas Gerais.

Entrementes, o passo seguinte, que não será como tomar o picolé de uma criança indefesa, a vitória de Kassab, terá de ser dado. Marta Suplicy é uma candidata poderosa e contará em seus palanques com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ganhar a eleição na capital é uma questão de honra para o presidente, da mesma forma que se empenhar para a eleição no segundo turno dos candidatos do PT em Guarulhos, São Bernardo do Campo, Santo André e Mauá, na Grande São Paulo, onde o PT também venceu em municípios de relevante participação no Produto Interno Bruto (PIB), como Osasco e Diadema.

De outra parte, o Rio de Janeiro também escreverá um capítulo eivado de referências diretas às eleições presidenciais de 2010. O governador Sergio Cabral Filho, em arriscado golpe de sorte retirou o apoio inicial ao candidato do PT, deputado Alexandro Molon, optando por candidatura própria do PMDB, para a qual indicou Eduardo Paes, deputado federal tucano não-reeleito e atraído para o ninho aconchegante do Palácio Guanabara. Nomeado secretário estadual de Turismo, diante da total inexpressividade dos quadros do PMDB fluminense, a exemplo da maioria dos estados, Paes foi escolhido pelo governador e terminou a corrida pela prefeitura do Rio de Janeiro em primeiro lugar.

Seu adversário será o deputado verde Fernando Gabeira, que arrepiou carreira nos últimos dias e pulverizou as pretensões do senador Marcelo Crivella, ex-bispo da Igreja Universal do Reino de Deus. Como manda o figurino, Paes e Gabeira queimam cartuchos para a costura de alianças rentáveis do ponto de vista eleitoral. Gabeira sonha com o apoio do PT e do PSOL, grêmios que não pertencem à base governista, ao passo que Paes pretende a adesão do PRB, PCdoB, PT e PDT. Nenhum dos candidatos quer o apoio de César Maia (DEM), um dos novos integrantes da confraria de zumbis da política brasileira.

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