Clemente Ivo Juliatto

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Há quem sonhe como gostaria de ser lembrado daqui a 20, 40 ou 100 anos, se lhe for permitida essa pretensão. Não considere tal preocupação como a mais importante, mas a direcione agora mesmo e comece a constituir planos de obras, atitudes e exemplos para ser reverenciado na ocasião oportuna. Certamente, alguns serão lembrados por se empenhar em florescer as ciências, as artes, as comunicações, a cultura e a criação de novas oportunidades de trabalho; outros, por elevarem os padrões de excelência da educação, da pesquisa, da medicina, do jornalismo, do direito e do voluntariado; outros, em promover a sintonia na família, na comunidade eclesial ou com a sociedade e as nações.

Pessoalmente, gostaria de ser recordado pela contribuição em transformar as escolas do ensino fundamental, médio e superior num lugar em que o mal seja a ignorância e no qual o bem seja o conhecimento, como propunha Diógenes, onde não se busque somente o conhecimento, mas também se almeje alcançar a sabedoria; num espaço de liberdade para a pesquisa e convivência harmônica entre fé, cultura e ciência, colocadas em benefício de todos, como desejava Jaspers; num jardim de cultivo de talentos, de virtudes humanas e cristãs das crianças e jovens, como pretendia Newman; num lugar onde não haja espaço para a mediocridade e desavenças, e o alto desempenho seja a conquista de todos; enfim, numa comunidade de mestres e discípulos, irmanados na busca da verdade.

Mesmo que não se chegue a ver esse futuro na intensidade do sonho, ainda assim devemos lutar intensamente por ele e, quando um dia, finalmente, chegar, ele irá apreciar o nosso esforço. As energias, habilidades, competências e responsabilidades que temos e assumimos não são para ser economizadas, mas para ser gastas todas em favor desse sonho. O fascínio que exerce sobre nós um sonho que se constrói é que ele está, constantemente, chegando e, constantemente, por vir. Administrar projetos, sonhos e ideais não é fazer uma soma, mas pintar um quadro, por exemplo, no qual uma nova paisagem está sendo desenhada, e, a cada dia, recebe mais uma pincelada. Talvez esta seja a resposta de esperança que a juventude, um tanto impaciente, mais procura.

Naturalmente, só há futuro para quem possuir qualidade, integridade e souber crescer com moral, criatividade e inovação. Há futuro para quem possui visão e expectativa abrangente, busca cultivar diferenciais e corrige visões distorcidas e imediatistas. Terá êxito quem servir bem à sociedade e aos grupos humanos. Nesse sentido, temos muito a aprender e fazer, começando por praticar e sinalizar aos jovens e às lideranças valores autênticos, soluções construtivas e maneiras humanas de interação com os clientes, usuários, colaboradores e públicos diversos.

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Nesse particular, de forma cíclica, no Brasil e em toda a história da humanidade, houve momentos ora mais tensos, ora menos difíceis. O importante é que, em sua maioria, foram descobertos caminhos para enfrentar e superar as crises locais, regionais e mundiais. O final do século XX e início do terceiro milênio bem poderiam ser comparados ao que foi descrito na Bíblia, como o período dos sete anos das vacas magras, no tempo de José do Egito. Importante que se compreenda que as dificuldades, numerosas e graves, não são apenas individuais – estas, os cidadãos as sentem na própria carne. São, também, coletivas. Infelizmente, muitas instituições e, também, algumas nações, continuam navegando em águas turbulentas.

Clemente Ivo Juliatto é reitor da Pontifícia Universidade Católica do Paraná e integrante da Academia Paranaense de Letras.