Quem fala o que quer…

O fim de semana não deve ter sido dos melhores pelos lados da Granja do Canguiri. As notícias do domingo eram de revezes do governador do Paraná, Roberto Requião (PMDB).

Em Brasília, o Supremo Tribunal Federal (STF) negava os embargos declaratórios de Maurício Requião, que tenta voltar para o Tribunal de Contas do Estado (TCE). A matéria do repórter Hélio Miguel, na edição de O Estado, explica: “O recurso não chegou a ter seu mérito analisado pelo juiz relator do processo, o ministro Ricardo Lewandowski. (…) O STF entendeu que o decreto que nomeou Maurício ao TCE, em julho do ano passado, fere a Súmula Vinculante n.º 13 do tribunal, que veda a prática do nepotismo na administração pública”. Para fechar, a ação cautelar ajuizada por Maurício foi arquivada pelo Supremo.

Em outra página da mesma edição de O Estado, o repórter Roger Pereira informou que os servidores públicos querem do governo estadual o mesmo reajuste salarial proposto pelo mandatário para o chamado salário mínimo regional (de 14,9%): “A proposta do governador só atingiria a iniciativa privada, mas os sindicatos dos servidores usarão o valor como modelo para sua pauta de reivindicações, que será apresentada na próxima semana à secretária da Administração e Previdência, Maria Marta Lunardon”.

Em resumo, os golpes são fortes. O primeiro atinge diretamente a família do governador. Afinal, esta sempre foi bem provida de cargos no poder público – havia Requião (ou Mello e Silva) por todo canto do governo. A ida de Maurício para o TCE parecia ser a tacada definitiva, assim como a nomeação de Eduardo Requião para a secretaria especial do Escritório de Representação do Paraná em Brasília. Mas deu errado: Maurício teve que sair do Tribunal de Contas por ordem do Supremo, e o caso de Eduardo está sendo avaliado pela Justiça.

No outro, a tática populista de fazer cortesia com o chapéu alheio sofre o contraveneno. Afinal, se o governo quer que o empresariado pague o novo mínimo regional, que dê o exemplo e faça o mesmo com os servidores públicos. Ou encerre o período das bravatas e trabalhe com mais seriedade.

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