Reinhold Stephanes Júnior

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A comunidade paranaense discute, há várias semanas, a implantação do sistema de cotas pela Universidade Federal do Paraná. O tema vem envolvendo inclusive a Justiça, que tem se manifestado com várias decisões a respeito do assunto. Até então apenas acompanhando pela imprensa o debate, passei a me interessar mais profundamente sobre o tema a partir de uma palestra do pró-reitor de Graduação da UFPR, Valdo Cavalet, este mês, no plenário da Câmara Municipal.

Concluí que cotas raciais não se justificam por introduzir na universidade pública o que considero como discriminação ?legalizada?.

Venho atuando na vida pública tendo como uma de minhas bandeiras a redução da desigualdade entre as pessoas, na busca da redução da pobreza e de oferecer melhores condições de vida a todos, negros, amarelos, mulatos, brancos, índios, muçulmanos, católicos, evangélicos, enfim a todas as etnias.

Embora seja exatamente este o maior argumento dos que defendem as cotas, minha experiência política, administrativa e até pessoal hoje avalia o sistema de cotas como um precedente para vários tipos de discriminação.

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O sistema implantado acabou, inclusive, gerando desdobramentos, cada vez com efeitos mais preocupantes. Existem, por exemplo, várias propostas tramitando na Câmara Federal, implantando a chamada ?discriminação positiva?, para concursos públicos, beneficiando negros, índios, japoneses, pessoas vindas de universidades públicas e assim por diante. No rastro das cotas da Federal em breve teremos um verdadeiro desfile de leis protetoras a raças, profissões, religiões, sindicalizados, enfim uma sinfonia de absurdos.

E como ficam aqueles que estão nos bancos escolares ou se preparam para ingressar na Tuiuti, PUC, UnicenP, Unibrasil, Dom Bosco, Faculdade Curitiba, FAE e outras instituições? Pelo fato de estudarem em faculdades privadas serão prejudicados? Quantas pessoas por serem brancas serão transformadas em vítimas da discriminação?

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Considero que, ?em nome da justiça?, está se promovendo um ato que fere os princípios constitucionais de igualdade. Uma violação à Constituição que proíbe a discriminação em função de raça, cor e credo. Por mais que busque, não encontro motivo ou benefício que justifique tal medida.

A polêmica sobre as cotas é quase um tabu. Poucos políticos querem se manifestar sobre o assunto, provavelmente para não passar por ?politicamente incorreto?. Mas, ao contrário, eu me sinto na obrigação de falar, questionar e argumentar. Até porque tenho vários amigos negros, que, por mais que pareçam beneficiados, são totalmente contra esse tipo de discriminação.

Procura-se com as cotas provavelmente se criar uma cortina de fumaça em torno do grande problema deste País que é o sistema educacional. Um modelo onde nossas crianças chegam à quarta série mal sabendo ler e escrever, porque é lei e direito garantido que nenhuma criança reprove nos primeiros quatro anos escolares. Isso, claro, também ?em nome da justiça e da igualdade?.

O sistema limita o aprendizado das nossas crianças, quando deveria garantir a igualdade para todos adquirirem conhecimento, com qualidade, colocando-as nas mesmas condições de concorrer ao vestibular, que deveria inclusive avaliar o histórico escolar. Hoje, o sistema de cotas acaba provocando a falta de transparência no vestibular, remendado com medida que provoca o desequilíbrio social. A nós envergonha ver uma reitoria sonegar informações aos vestibulandos para evitar ações na Justiça, impedindo o livre exercício do questionamento.

Nos entristece ver a UFPR em que estudei, onde fui líder estudantil, hoje discriminando as pessoas e sonegando informações, promovendo um dano irreparável à comunidade, especialmente quando promove ações utilizando o bordão ?em nome da justiça e da igualdade social?.

Reinhold Stephanes Júnior é vereador em Curitiba.