Guilherme Lorenzi

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Alguém aí se lembra do bug do milênio?

Daquele já longínquo 1999, quando grassava o temor de que, na virada para 2000, o também críptico ?Y2K?, mil problemas se abateriam sobre os computadores das empresas, das torres de controle de aviões, etc., etc. Mas, agora que já estamos na segunda metade da primeira década do 3.º milênio, talvez nós, brasileiros, devêssemos nos preocupar um pouco mais com um outro ?bug?, que eu denominaria bug da brasilidade.

De fato, em poucos dias poderemos comemorar os 506 anos do descobrimento do Brasil, da descoberta oficial de nossas terras, de nossas belezas naturais, de nossos ancestrais indígenas, do ?nosso? sol, enfim, de ufanias muitas que ainda hoje dizemos não haver iguais. Mas será que já descobrimos, passado esse nosso meio milênio de Brasil, o que significa verdadeiramente ser brasileiro?

Volta e meia ouvimos alguém comentando que nos Estados Unidos é muito comum ver a bandeira americana hasteada. Pois, o bug da brasilidade poderia ser definido como o desconhecimento que temos do real significado de sermos brasileiros. Mais do que belezas naturais, o Brasil possui hoje, passados pouco mais de cinco séculos, um povo ímpar (e não me venham, por favor, com aquela piada sobre ?o povinho que vou colocar lá?). Oriundo, sim, de diversos outros povos, mas dotado de uma identidade muito própria.

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Acredito ser o descobrimento dessa identidade, por nós mesmos, que nos levará a exercitar cada vez mais o conceito de cidadania, e não somente a cada quatro anos, como neste 2006, em que teremos a Copa do Mundo e eleições para presidente. Tenham a certeza de que também nossos negócios sofrerão impactos positivos quando solucionarmos esse bug.

Estamos numa boa hora -esta em que acaba de regressar do espaço o primeiro de nós, brasileiros – para rever nossa postura enquanto cidadãos. E isso implica em nos imbuir do que efetivamente podemos e devemos fazer para tornar este país nossa pátria, no mais amplo significado da palavra.

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Que tal aproveitar este momento, refletir e já começar?

Guilherme Lorenzi é engenheiro aeronáutico, administrador de empresas e coordenador-executivo do CITS – Centro Internacional de Tecnologia de Software, de Curitiba. lorenzi@enfoque.com