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O delegado Protógenes Queiroz, da Polícia Federal (PF), alijado da chefia da Operação Satiagraha, foi convidado a prestar depoimento perante a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Grampos, instalada na Câmara dos Deputados. A confirmação foi transmitida pelo deputado Raul Jungmann (PPS-PE), um dos parlamentares que compõem a citada comissão.

No início da semana, o delegado afastado havia dado a conhecimento público um relatório de 16 páginas, de sua autoria, que questiona diretamente a versão divulgada pelo governo ao descrever os lances mais apimentados de seu afastamento não voluntário da chefia da operação que culminou com a prisão temporária de Daniel Valente Dantas, Naji Nahas e Celso Pitta, além de vários outros envolvidos em crimes de lavagem de dinheiro, evasão de divisas, desvios de recursos públicos e formação de quadrilha. Queiroz não se constrangeu a poupar informações detalhadas sobre as pressões e insultos que recebeu de superiores hierárquicos da Polícia Federal, agastados com o fato de terem sido repelidos na solicitação de acesso a pormenores secretos da operação. O delegado tomou a decisão de negar atendimento ao pleito dos superiores, alegando temer o vazamento de dados que poderiam abortar a ação dos agentes destacados para executar mandados de prisão e apreensão de discos rígidos de computadores e outros documentos.

A Operação Satiagraha teve a deflagração das prisões marcada para a madrugada do dia 8 de julho, sendo que os homens escolhidos pelo delegado Protógenes Queiroz somente receberam as últimas informações por volta das quatro horas, no momento em que se preparavam para sair em busca dos principais acusados. Assim sendo, a suspeita levantada pelo ex-chefe da ação quanto ao possível vazamento de dados, como ocorrera em outras ocasiões, diante das dificuldades que a PF encontrou para a realização de determinadas tarefas, não apenas justifica o destemor de negar detalhes aos superiores, mas projeta um facho de luz sobre uma prática abominável e absolutamente estranha ao comportamento de atores que a sociedade aprendeu a respeitar.

O próprio governo federal, por intermédio do Ministério da Justiça, a quem a PF está subordinada do ponto de vista da organização funcional do Estado, não deveria perder a preciosa oportunidade de prestar os esclarecimentos necessários para desfazer a impressão de que há algo podre nos porões da instituição que se julgava acima de quaisquer suspeitas. Segundo alguns, a cúpula da instituição está dividida entre delegados com aberta simpatia ao catecismo tucano e os oponentes que acendem velas ao neosocialismo petista. Diz-se que os choques de interesse começaram com o deslocamento do delegado Paulo Lacerda da superintendência do órgão para a chefia da Agência Nacional de Inteligência (Adin), substituído pelo delegado Luiz Fernando Correa, até então chefe da Força Nacional de Segurança (FNS).

Enquanto Lacerda era declaradamente simpático a ações aparatosas no combate ao crime organizado, Correa pensa de modo diferente, mostrando-se arredio às ações espetaculosas como a Satiagraha, aliás, assim qualificada de pronto pelo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Gilmar Mendes, signatário das ordens de soltura da trinca Dantas, Naji e Pitta. O delegado Protógenes Queiroz escreveu no relatório ter sofrido ataques diretos quanto à natureza cinematográfica das prisões, inclusive a do ex-prefeito Celso Pitta, acompanhada por uma equipe da Rede Globo de Televisão.

O depoimento do delegado na CPI dos Grampos está agendado para quarta-feira da próxima semana. A comissão também já decidiu convidar o juiz federal Fausto Martin de Sanctis, da 6.ª Vara Criminal Federal de São Paulo, que decretou a prisão do banqueiro Daniel Dantas pela prática contumaz de interceptações ilegais de conversas telefônicas alheias. A atenção do País está voltada para o Planalto Central.

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