A notícia é difícil de ser explicada, porque foge ao usual da cobertura de saúde pública. Mas quem leu a reportagem de Luciana Cristo, na edição de sábado de O Estado, entendeu o que acontece em Foz do Iguaçu: “O município de Foz do Iguaçu não vai mais esperar os sintomas da influenza A (H1N1), a gripe suína, ficarem mais graves para ministrar o antiviral Tamiflu aos pacientes. Comprovações da secretaria municipal da saúde mostram que, desde que o município adotou a mudança, a evolução dos casos para quadros mais graves diminuiu. Protocolo do Ministério da Saúde orienta que o remédio seja prescrito apenas em casos em que haja complicação do quadro clínico, sob a alegação de que o medicamento pode causar resistência. De acordo com o secretário da Saúde de Foz a resistência só vai acontecer caso o Tamiflu seja mal utilizado, o que não aconteceria com o acompanhamento médico”.

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A decisão de Foz, semelhante à tomada na cidade gaúcha de Passo Fundo, é um novo passo no atendimento aos que estão (ou suspeitam estar) com a gripe H1N1. As autoridades de saúde iguaçuenses optaram por buscar o cuidado ao maior número de pacientes, mesmo que ainda não tenha acontecido a confirmação da infecção pelo vírus. É o famoso ditado “prevenir para não remediar” – ou, neste caso, “remediar para não remediar mais ainda”.

O secretário da Saúde de Foz do Iguaçu, Luís Fernando Zarpelon, explicou de outra forma a quebra do protocolo de uso do remédio Tamiflu: “Nenhuma política pode interferir na autonomia médica de prescrever remédio”. Faz sentido. Por mais que se entenda que o poder central (no caso, o ministério da Saúde) queira organizar o atendimento em todo o País, cada paciente tem suas peculiaridades. E ninguém tem maior competência que o médico para cuidar da situação.

E se, pelo menos na amostragem típica de uma cidade, a introdução antecipada do Tamiflu surtiu efeito, é justificável a atitude tomada em Foz. O que não se pode fazer é ficar parado esperando que mais vidas sejam perdidas por conta do vírus da gripe suína.

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