As conversas em Brasília estão cada vez mais saindo dos bastidores e entrando na pauta oficial dos políticos e diplomatas. O assunto? A crise de confiança na Argentina. Os problemas com os bancos, a dificuldade dos exportadores negociarem crédito e a administração ciclotímica da presidente Cristina Kirchner estão minando o comércio entre o Brasil e o país vizinho.
Se analisarmos a Argentina pelo seu atual tamanho, parece pouca coisa. Afinal, os “hermanos” estão em queda há pelo menos quinze anos, ficam cada vez menores e menos competitivos em comparação com outros países da América do Sul, como o Chile.
Mas a questão não é de tamanho e competitividade. É de parceria comercial. A Argentina representa quase 20% das exportações brasileiras, e o resultado divulgado pela Agência Brasil é assustador: “As trocas comerciais entre Brasil e Argentina continuam caindo fortemente. Mantendo tendência verificada desde outubro do ano passado, as exportações brasileiras para o país vizinho recuaram 46,5% no primeiro bimestre de 2009 em relação ao mesmo período de 2008, ficando em US$ 1,33 bilhão. As importações de produtos argentinos caíram 41,1%, somando US$ 1,27 bilhão”.
A explicação dos técnicos do Ministério do Desenvolvimento é simples: há barreiras comerciais impostas pelo governo de Cristina Kirchner. A crise financeira internacional acaba virando elemento secundário nesta situação. E é por isso que, quando conversam com jornalistas, políticos do governo resumem o caso: “O problema da Argentina é problema nosso”.
Sim, porque se não for possível lidar com as barreiras comerciais (haverá, nos próximos dias, uma reunião entre a presidente argentina e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva), o Brasil vai atacar com linhas de crédito específicas para os vizinhos – e, assim, criando uma situação de constrangimento para o governo Kirchner, que só recebe portas fechadas das instituições internacionais de crédito. E aí, justamente do país mais prejudicado pelas medidas malucas da Argentina pode sair a solução para a crise.