A bolsa de apostas da política internacional está fervendo. Todos fazem seus palpites. Será que o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, vai “perder o encanto”? Até agora ele está colhendo os frutos de uma vitoriosa campanha e da tremenda onda de otimismo que envolveu sua ida à Casa Branca. Mas a posse e o impacto das crises financeira (o vendaval que não cessa) e internacional (as dificuldades no Oriente Médio) podem acabar com a lua-de-mel do democrata.
As reações de Obama já mostram uma preocupação. Em sua viagem pelo interior dos Estados Unidos, para promover seu plano de estímulo da economia, ele já fez repetidos apelos para que o Congresso aprove os projetos. “Realizamos um bom debate, agora é tempo de agir, por isso estou pedindo ao Congresso que aprove de imediato”, disse na segunda-feira, em Indiana. E disse mais: “As pessoas daqui, de Elkhart, e de todos os Estados Unidos, necessitam de ajuda agora mesmo, e não podem esperar as de Washington para fazer as coisas”.
Por que Obama, com toda a popularidade que tem, joga as fichas para o Congresso? Por que ele faz apelos emocionados e depois agradecimentos públicos? Porque ele sabe que não poderá fazer nada sozinho – nem resolver a crise econômica nem desatar os nós (Israel, Palestina, Irã, Síria, Afeganistão, Iraque) do Oriente Médio. Em “casa”, conta com a ajuda dos deputados e senadores para aprovar rapidamente as medidas de recuperação – ajuda que está vindo de fato, com a aprovação do plano de US$ 838 bilhões. E, claro, torcer para tudo dar certo. Fora de Washington, a situação é ainda mais complicada, com a guinada à direita de Israel e o acirramento dos conflitos.
E, aí, não será suficiente o carisma e o discurso de Barack Obama. Ele precisará da colaboração de muitos para manter o otimismo do povo norte-americano (e do resto do mundo) e para resolver os problemas que se acumulam na sua frente. Para ele, não basta ter sucesso, é necessário ter sucesso muito rapidamente. E caso isto não aconteça, a “paixonite aguda” do planeta pelo presidente dos Estados Unidos vai se transformar em choro e ranger de dentes.