Além do impacto direto sobre a balança comercial em 2008, que resultou no encolhimento do superávit para US$ 24,7 bilhões, ou seja, 38,2% menor que os US$ 40 bilhões do ano retrasado, a crise global também deu ensejo a críticas veladas do ministro Miguel Jorge, do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, ao colega Guido Mantega, da Fazenda. Para o setor preocupado com o desenvolvimento, o governo não deve procrastinar a adoção de mais um lote de medidas de incentivo aos exportadores, com a finalidade de amenizar as dificuldades do cenário internacional.

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O ministro Miguel Jorge revelou há pouco que as projeções sobre o comportamento do setor de exportações no primeiro trimestre não são nada boas, evitando inclusive a inconveniência de traçar metas para embarques de produtos brasileiros ao mercado exterior ao longo de 2009. A instabilidade dos preços das commodities ainda consideradas essenciais como o petróleo, está na base da incerteza das análises quanto ao desempenho do comércio exterior no atual exercício. Daí a sugestão de celeridade na atuação do Ministério da Fazenda, que tem sob controle o instrumental necessário para estimular os setores mais atingidos pela crise.

O saldo comercial de 2008 (US$ 24,7 bilhões) é o pior resultado desde 2002, e a perspectiva é que haja recuperação apenas a partir do segundo semestre desse ano. Até lá, o exportador será obrigado a conviver com um período de vacas magras, aliás, uma situação que se alastrou também para as demais economias industrializadas e emergentes. As autoridades da área, ao que parece, ainda não conseguiram romper o sentimento de estupor herdado da crise e, tampouco, seguem uma partitura comum na tarefa de recuperar o entusiasmo abalado dos empresários. O secretário de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Welber Barral, limitou-se a comentar com os repórteres dos cadernos de economia que “o exportador terá de ter muita imaginação”, com uma convicção que faria inveja ao conselheiro Acácio.

Em 2008, o País exportou 460 milhões de toneladas de produtos básicos e manufaturados, expressão física que deverá se manter em 2009, embora com a diminuição do valor monetário em face da retração dos preços internacionais. O balanço não é lisonjeiro porquanto vamos colocar no exterior a mesma tonelagem de produtos, pelos quais receberemos menos dinheiro. Essa, no entanto, é uma das regras incompreensíveis, mas imutáveis do irascível deus mercado. A fase excepcional vivida pelo comércio exterior brasileiro entre janeiro e outubro do ano passado, com números recordes tanto nas exportações quanto nas importações, deverá permanecer em estado de letargia pelo menos por alguns meses.

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No período citado os embarques nacionais de produtos para o estrangeiro resultaram em divisas da ordem de US$ 197,9 bilhões, com um crescimento de 23,2% em relação ao mesmo período do ano anterior, ao passo que as importações chegaram a US$ 173,2 bilhões, com um crescimento de 43,6%. As economias emergentes foram as que mais demandaram nossos produtos básicos e semimanufaturados. Favorecidos pela apreciação do real em relação ao dólar norte-americano, empresários brasileiros aumentaram em ritmo dinâmico as aquisições de bens de capital, com o objetivo de modernizar e ampliar as instalações fabris.

A crise financeira que se espalhou rapidamente pelo mundo nos dois últimos meses do ano, acertou em cheio o nicho exportador da economia brasileira, que literalmente ficou a ver navios, à espera de ventos mais favoráveis. Para outros países como China, Argentina e Chile, por exemplo, os números foram negativos. O nível das importações também deverá ser menor em função da valorização do dólar, mas com a expectativa de queda nas exportações o saldo comercial deverá encolher ainda mais. A saída é apostar no consumo interno, enfim, a onipresente bandeira desfraldada pelo presidente Lula. Brasileiros, às compras!

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