Vinod Thomas

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A importância do Paraná no cenário socioeconômico do Brasil vai além da parcela populacional que representa (5,5%) ou mesmo de seu PIB (por volta de 6%). O Estado tem o segundo menor grau de desigualdade no País (após Santa Catarina), e tem alguns dos melhores indicadores fiscais e de endividamento monitorados pela Lei de Responsabilidade Fiscal.

Nesse contexto, dois problemas oneram o desenvolvimento brasileiro nos últimos 25 anos – o alto custo da dívida e a aguda desigualdade de renda. Hoje se tornam evidentes também as questões de governança e corrupção. Tendo em vista essas questões nacionais, o Paraná está bem posicionado para avançar rapidamente.

A estratégia de desenvolvimento do Estado tem diversos pilares importantes, inclusive um enfoque sobre as dimensões urbana e rural. Mesmo tendo mais de 80% da população nas cidades (assim como o Brasil), a economia rural e agrícola tem um importante e dinâmico papel no Paraná. Essa também é uma área onde o Banco Mundial continua a apoiar os esforços do Estado, inclusive com uma nova proposta de inclusão social e desenvolvimento sustentável na área rural.

A inclusão social é um objetivo importante, pois mesmo com uma distribuição de renda relativamente favorável, por volta de 20% da população do Estado vive abaixo da linha de pobreza. Em 77 dos 399 municípios paranaenses a taxa de pobreza supera os 40%. Uma combinação de desenvolvimento urbano e rural pode fornecer parte das respostas à necessidade de maior inclusão social.

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Nos projetos rurais, dois fatores destacam o potencial do Paraná. Primeiro, a estratégia do Estado para inclusão social tem um componente produtivo importante, o que é uma direção que projetos em outros lugares buscam incorporar. A inclusão do componente produtivo faz com que os programas sociais sejam muito mais sustentáveis.

Em segundo lugar, o Estado é líder na promoção do agronegócio com sustentabilidade ambiental (iniciada em projetos como o de microbacias), um importante modelo para outros estados, atualmente trilhando caminhos destrutivos para o meio ambiente. Hoje, cresce cada vez mais o cultivo baseado na agricultura intensiva, ao invés da abertura de novas áreas valiosas para a proteção e a biodiversidade.

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Além do desenvolvimento eqüitativo e sustentável nas áreas rurais, o Paraná também tem um ponto forte em sua economia urbana. Aqui também há elementos que diferenciam o Estado, seja na administração urbana ou na economia do conhecimento. Em um cenário global de rápida integração, a tecnologia da informação e a economia do conhecimento poderiam ser o elo crucial que desencadearia o potencial do Paraná, em ambos seus componentes rural e urbano.

Vinod Thomas é diretor para o Brasil e vice-presidente do Banco Mundial.