Darci Piana
Sou contra a proibição da venda de armas de fogo. Mas, não apenas sou contra a proibição da venda: existem alguns motivos para isso. E o primeiro deles, por ser um empresário, um comerciante, alguém que defende a livre iniciativa, não poderia ser contra um setor econômico que produz e que vende. Sou contra a proibição, portanto, num primeiro momento, por ser um democrata. Assim como sou contra a proibição do cigarro, que mata lentamente.
Mas existem mais motivos para que eu manifeste minha opinião contra a proibição da venda de armas. Outro é, por exemplo, uma questão de segurança. Explico: a partir do momento que seja proibida a venda de armas, e todo e qualquer cidadão – honesto – entregue a que possui ao Estado, estaremos totalmente desprotegidos, oficialmente.
Não que hoje estejamos protegidos. Mas é preferível que o marginal tenha dúvidas sobre se tenho ou não uma arma em casa, do que ele ter a certeza de que eu, por ser um cidadão honesto, correto, cumpridor das leis, estarei à mercê da sua falta de honestidade.
Hoje a lei já proíbe venda de armas generalizadas. Quem quer comprar uma arma precisa justificar e registrá-la, portanto não vejo por que fazer um gasto dessa monta para um plebiscito, uma vez que já está regulamentado. Seria melhor cumprir com as normas já existentes, do que criar uma nova lei e depois não cumprir. Hoje um bandido não compra arma nas lojas especializadas, compra de contrabandistas ou de traficantes. Portanto, de nada adianta uma lei que não será cumprida pelos marginais.
É impossível ao Estado oferecer certeza e garantia de segurança. Temos forças policiais para a repressão (evitar que o fato ocorra) e para atuar depois do fato ocorrido. Nem mesmo os seguranças particulares possíveis de serem contratados nos oferecerão 100% de segurança. Mas é preferível ter o direito de se defender, do que ficar – inclusive – sem este direito.
O cidadão honesto, cumpridor das leis, não vai comprar uma arma para atacar alguém. E, o fato de elas estarem proibidas de comercialização, não fará com que o marginal também fique desarmado. Temos vários exemplos de contrabando (armas que nem as forças de segurança brasileiras possuem estão nas mãos do tráfico, dos marginais) que continuará existindo. Ou seja, ficaremos sem condições de autodefesa e, mais, à mercê de quem não se preocupa com isso.
Um velho adágio popular ensina: ?Em terra de cego, quem tem um olho é rei?. É possível transferir esta frase, esse conhecimento do povo para a mesma situação. ?Em terra de desarmados, o armado é rei?.
E a história nos ensina que, para dominação de um povo, a primeira iniciativa é desarmá-lo. Se isso ocorrer neste plebiscito, tenho medo de que seja o começo de uma dominação. Mas não será por conquistadores, infelizmente. Será por aqueles que vivem – e sobrevivem – à margem da lei.
A alternativa seria o governo ter mais condições de fiscalizar, exigir mais condições psicológicas de quem tira porte de arma, e, finalmente, investir mais na prevenção, na educação, no policial, na investigação.
Darci Piana é presidente do Sistema Fecomércio Sesc/Senac e empresário do setor de autopeças.