O governador do Paraná e seus áulicos, aqueles que o rodeiam todos os dias e concordam com todas as ideias dele, sejam elas quais forem, acham que a imprensa do Estado não gosta das ações do governo. Acham que a mídia faz parte de uma terrível conspiração para prejudicar as pessoas que trabalham no setor público e, por consequência, o mandatário do Palácio das Araucárias. Então, vamos retomar o assunto balneabilidade das praias do Paraná, que vem tomando o noticiário neste janeiro.
Mas não usemos o material da imprensa, e sim da Agência Estadual de Notícias, o órgão oficial de informações do governo. Eis a abertura da matéria: “As chuvas constantes ocorridas no Litoral do Paraná na última semana reduziram o número de pontos próprios para banho nas praias, de acordo com o sétimo boletim de balneabilidade divulgado nesta quarta-feira pelo Instituto Ambiental do Paraná (IAP). Apenas o ponto localizado em Guaratuba, na Praia de Caieiras, direção da Rua Frederico Nascimento manteve-se próprio para banho”.
Após este início sensacional, a matéria se esforça para mostrar que a crise de balneabilidade do litoral do Paraná tem a chuva como principal vilã.
E então? A culpa continua sendo de São Pedro?
É impossível que, com o avanço das técnicas meteorológicas, o IAP não consiga prever que as chuvas vão aumentar e que, por isso, pode piorar a qualidade da água de nossas praias. Ou, mais importante, que o poder público não se preocupou em cuidar do litoral na baixa temporada, quando havia tempo suficiente para melhorar a região, uma das mais carentes do Estado.
E o turismo no nosso litoral, que poderia ser incrementado em um ano que, infelizmente, houve uma tragédia natural em Santa Catarina, continua empacado. Os comerciantes, os donos de casas e apartamentos, os empresários, os ambulantes – todos lamentam a falta de incentivo público para nossas praias. Estes, que vão para nossos balneários, sabem o que acontece por lá. Quem vai para o Nordeste passear no final do ano deve estar por fora.