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Todo o interesse político da nação está voltado para o primeiro turno das eleições municipais de outubro, embora ainda não se tenha em qualquer das cidades importantes do País a menor evidência de entusiasmo pelas campanhas deste ou daquele candidato. Aliás, o clima de mornidão das campanhas e a apatia dos eleitores marcam, como em nenhuma outra ocasião recente, o desencanto popular com os candidatos inscritos e seus projetos. A escolha dos novos prefeitos e vereadores dar-se-á pelo critério seletivo, em muitos municípios um suplício de Tântalo para o eleitorado, de escolher o menos pior.

Aproveitando o ensejo, o Congresso Nacional que quase nada produziu ao longo do primeiro semestre, volta às atividades legislativas ungido pelo absenteísmo permitido do chamado “recesso branco”, acordo de cavalheiros subscrito pelos líderes das várias legendas representadas na Câmara e no Senado, sob o olhar complacente das mesas diretoras de ambas as Casas.

Durante o recesso, os parlamentares estão desobrigados de se deslocar à capital federal, onde normalmente trabalham de terça a quinta-feira, tendo em vista que o acordo estabelece a necessidade de lá estar em apenas duas semanas de votação, uma em agosto e outra em setembro. Mesmo assim, os resultados deverão ser pífios, pois tanto a Câmara quanto o Senado fecharam as portas para o recesso de julho com as pautas de votação atravancadas por inúmeras medidas provisórias e, as discussões políticas prejudicadas pela obstrução dos partidos oposicionistas, especialmente o Democratas (DEM).

Deputados federais e senadores poderão ser encontrados em seus estados, envolvidos diretamente na campanha dos candidatos do partido ou das coligações eventualmente apoiadas na eleição municipal. No caso de Curitiba, os senadores Alvaro Dias (PSDB) e Osmar Dias (PDT) apóiam a reeleição do tucano Beto Richa, ao passo que o petista Flávio Arns, segundo informações anteriores, terá discreta participação na campanha de Gleisi Hoffmann, candidata do PT à Prefeitura Municipal. Alvaro e Osmar, no entanto, não subirão aos mesmos palanques no interior, sobretudo nos colégios eleitorais mais expressivos, já que em muitos deles o PDT resolveu lançar candidato próprio.

Um dos obstáculos à votação na Câmara dos Deputados é exatamente a medida provisória da negociação das dívidas originárias de operações de crédito rural e fundiário. O deputado Ronaldo Caiado (DEM-GO), vice-líder do partido, tem reiterado que o texto da medida é ruim e, por esse motivo, o partido é contrário à sua aprovação: “Até agora não vi nenhum avanço na proposta original. O governo não vai avançar e nós não vamos aceitar”, afirmou. Este foi o motivo da obstrução dos democratas que se estendeu por todo o primeiro semestre, levando os analistas a dizer que dificilmente a ordem do dia fluirá no recesso branco, quando os parlamentares sequer precisam dar o ar da graça em Brasília.

O presidente da Câmara dos Deputados, Arlindo Chinaglia (PT-SP), está tentando fechar um acordo com as lideranças pela desobstrução da pauta, porquanto determinados temas de alta relevância para a sociedade, como a reforma tributária e o projeto sobre grampos e escutas telefônicas reclamam ação imediata dos congressistas. Chinaglia está sendo pressionado pelo governo e, nesse sentido, tem conversado com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e os ministros Tarso Genro (Justiça) e José Múcio Monteiro (Relações Institucionais), em torno da definição de uma agenda de assuntos prioritários.

Todavia, a produtividade do Congresso está condicionada ao interesse da maioria de seus membros, muitos deles candidatos a prefeito nos municípios de origem. Os grandes temas, ao que parece, terão de aguardar.

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