Clemente Ivo Juliatto
Os direitos e a liberdade à informação ampla são bastante recentes. Muitos países, inclusive o Brasil, nasceram e cresceram fora do ambiente desses meios modernos de comunicação social. Muitos idosos e adultos de hoje nasceram em comunidades diferentes, até mais problemáticas, diria. As modernas tecnologias de comunicação social e os meios audiovisuais possibilitam oferecer aos cidadãos informação e formação equilibrada, entretenimento e cultura capazes de enriquecer a personalidade, elevar a moral da opinião pública, impulsionar o progresso econômico, social e político, melhorar a agricultura e os serviços de saúde, o comércio e a indústria.
Os meios de comunicação social modernos, velozes e criativos, lançam bases para ações comuns e aperfeiçoadas entre pessoas, comunidades e povos distantes. São fatores de coesão social. Rompem barreiras para a comum união e aproximação dos seres humanos. Possibilitam, com incrível facilidade, reviver e partilhar costumes, mentalidades diferentes e situações remotas.
Vigilantes, ora no tempo, ora no espaço, os meios de comunicação avançam contra o analfabetismo, a persuasão, o desvio de conduta e a exploração humana. Facilitam as mudanças e as adaptações às novas circunstâncias culturais, econômicas, políticas e sociais. Mais ainda: geram benefícios culturais e recreativos imensuráveis. Enriquecem o espírito, a alma e o coração. Impulsionam a partilha de valores. Possibilitam a solução de problemas regionais e universais e ajudam a resolvê-los.
Em toda a sua dimensão, a liberdade humana sempre deve ser respeitada e salvaguardada. Não resta dúvida de que a boa formação do profissional e o bom senso dos proprietários, gestores e comunicadores podem assegurar o exercício pleno da liberdade e, ao mesmo tempo, o direito à informação autêntica e ética, ao diálogo produtivo e estimulante, à interatividade de pensamentos e opiniões convergentes e divergentes, ao crescimento pessoal e social.
Revestidos de isenção e imparcialidade, profissionais, proprietários e administradores dos meios de comunicação social detêm responsabilidades e cargos privilegiados para formação de juízos críticos, criativos, participativos e livres. Os meios e as mensagens atuam como verdadeiras luzes sobre os leitores, ouvintes, telespectadores e internautas, auxiliando na diferenciação do que é verdadeiro e do que é falso, do que é bom e do que é ruim. Infelizmente, hoje, também se assiste de forma demasiada, sobretudo na televisão, a situações que angustiam a consciência das crianças e jovens e prejudicam a alma dos telespectadores.
Entretanto, a atuação competente, prudente e ética e o desempenho comprometido, honesto e de bom nível evitam que os constantes apelos à emoção provoquem desequilíbrio à razão ou perturbem a formação praticada pelas famílias, escolas, igreja e universidades. Os multimeios são instrumentos poderosos que auxiliam a disseminar a cultura contemporânea, a atualizar o ensino ministrado nas salas de aula e as técnicas aprendidas em laboratórios e oficinas, a complementar a educação e a formação de base.
Associada a valores, a informação é um produto que existe para gerar um bem comum, compreensível e íntegro. Quando a notícia é dispersa, sensacionalista, parcial e demagógica, dificulta a visão de conjunto e prejudica e confunde a audiência. Se veiculados com moderação, inclusive atos de violência e crueldade, podem inspirar reprovação massiva. Em suma, é enorme o alcance educativo dos meios de comunicação, se utilizados como prolongamento da ação informativa e educativa.
De conformidade com as orientações da Igreja Católica, instruções pontifícias e ensinamentos do Concílio Vaticano II, os meios de comunicação social devem, sobretudo, promover o diálogo, colocar as pessoas a par da imagem autêntica da vida e propagar ensinamentos cristãos. Ao mesmo tempo, precisam abrir oportunidades de formação da mentalidade, facilitar ao povo de Deus condições para acompanhar, a distância, cerimônias e formação religiosa e contribuir para reflexões e soluções da problemática mundial.
Clemente Ivo Juliatto é reitor da Pontifícia Universidade Católica do Paraná e integrante da Academia Paranaense de Letras.