É certo que o governador do Paraná, Roberto Requião (PMDB), não gosta de ser contrariado. Apesar de se anunciar como advogado e jornalista, ele não consegue entender que haja no mundo pessoas que discordem de suas idéias e atitudes – mesmo tendo profissões que trabalham com o contraditório, o outro lado e as duas versões de um mesmo fato.
Quando o assunto envolve seus familiares, então, ele vira um leão. Mesmo quando notadamente ele está enganado, como nos casos de flagrante nepotismo, o chefe do Executivo estadual não aceita ser impedido de fazer o que planejou. Foi no caso do irmão Maurício Requião, que acabou nomeado para o Tribunal de Contas do Estado (TCE) e depois afastado por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF).
O mandatário do Palácio das Araucárias não gostou. Ficou “tiririca da vida” com a decisão do Supremo e resolveu destilar seu veneno contra o ministro do STF Ricardo Lewandowski, relator do caso – e que, involuntariamente, pisou no calo do governador. Na edição de ontem de O Estado, o repórter Roger Pereira retratou a ira requianista. “O governador abriu a ‘escolinha’ de terça-feira defendendo a nomeação do irmão e comparado a indicação de Maurício pela Assembleia Legislativa à aprovação em um concurso público. (…) Mas o ataque a Lewandowski veio na sequência, quando Requião disse que o ministro teria baseado seu relatório em informações falsas para convencer os demais seis ministros do STF a votar pelo afastamento liminar de Maurício. ‘O ministro Lewandowski apresentou ao plenário do STF razões sem pé nem cabeça pedindo que o Maurício fosse afastado’”.
Convenhamos que usar a expressão “sem pé nem cabeça” não é a melhor maneira para tratar de uma intervenção de um ministro do STF. E, além disso, insinuar que houve má-fé em um julgamento desta importância é algo gravíssimo. Afirmar que Lewandowski usou de informações falsas para preparar seu relatório beira à insanidade. Cabe ao governador, agora, provar o que está dizendo, pois as bravatas e o veneno não sustentam acusações tão sérias.