Clemente Ivo Juliatto
Abençoado o país ou a cidade que une gente de grande parte das etnias, culturas e credos. Bendita Curitiba que também acolheu 193 instituições religiosas vindas dos quadrantes da terra, a maioria dedicadas à educação. Curitiba é a metrópole brasileira da diversidade cultural, onde todos convivem pacificamente e vivem o bem-estar físico, social e espiritual. A excelência da educação ministrada nos três níveis é seu alicerce, a qual embasa a evolução regional, o desenvolvimento nacional e a projeção internacional. Daí sua gênese, atualidade, valores e dimensão histórica.
Na esfera econômica, as inovações são compatíveis e adequadas às características de sua estrutura produtiva, educacional e configuração sociocultural. Políticas públicas convergentes, planejamento urbano, transporte coletivo, parques ecológicos e complexos industriais modernos a distinguem. Com segurança, é cidade pós-tecnológica. Mais uma vez, a educação deu o tom do progresso, a qual potencializa e ilumina o seu futuro promissor, mantém moderno e empreendedor o cidadão, globaliza manifestações testadas e experimentos inéditos. Sem ostentação, Curitiba transpira eficiência e competência; sem fulgor, inspira paradigmas e qualidades agregadas.
Curitiba sempre foi movida por certa euforia, justificada pelo seu patrimônio e imponência cultural, arquitetônica, artística e educacional. Literalmente, é um laboratório de Primeiro Mundo, a melhor definição para esta gente que dialoga em alto nível com o mundo. De forma concreta, a educação cria unidade, consciência e orientação humanística. A intelectualidade sábia constrói obras belas e perenes, traça fundamentos e consolida horizontes planejados estrategicamente.
O cunho de seriedade no ensino público e a proficiência dos estabelecimentos educacionais mantidos por congregações religiosas são bases e respostas para muitos fatores da florescente expansão industrial e comercial. O projeto educacional (Projeto Comunitário) implantado pioneiramente no Brasil pela PUCPR, a partir de 2000, por exemplo, tem o condão de formar cidadãos solidários e profissionais tecnicamente capacitados para atuar em qualquer parte do planeta.
Desde a sua chegada a Curitiba, em 1925, os irmãos maristas, mantenedores de colégios, PUCPR, conglomerado de meios de comunicação, hospitais e dezenas de obras sociais e assistenciais, adotam processos pedagógicos inovadores e destinam parte de seus recursos e esforços para inserir socialmente multidões de adolescentes e jovens desfavorecidos social e financeiramente. Ao mesmo tempo, como ideal e metodologia para superar essa complexidade, exercitam produtivamente o diálogo entre educação, fé, ciência e caridade.
Em vista do futuro, a Curitiba para a qual todas as forças vivas devem empenhar-se daqui para frente, inclusive a Igreja, não é para a Curitiba moderna, pioneira e conquistadora de prestígio internacional. Essas competências e talentos ela já conquistou. Agora, a Curitiba que queremos necessita voltar seu olhar intensamente para contingentes crescentes de pessoas que ainda não são assistidas em seus direitos e nem configuradas em sua dignidade humana. Precisamos assumir a natureza e as limitações dessa gente. No futuro, será esta história de amor e fraternidade que vamos relatar e justificar para as novas gerações. Bendita a cidade que cuida de toda a sua gente, investe na educação, na saúde, nas tradições culturais e religiosas, nos bons costumes e nas comunicações.
Clemente Ivo Juliatto, reitor da Pontifícia Universidade Católica do Paraná e integrante da Academia Paranaense de Letras, é pós-doutor em Administração Universitária pela Harvard University, em Cambridge, Massachusetts, EUA.