É provável que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva aproveite o clima festivo do Dia do Trabalho para anunciar a criação de uma nova empresa estatal para cuidar da exploração dos mananciais de petróleo e gás natural descobertos recentemente nas chamadas camadas de pré-sal. As disposições jurídicas que deverão servir de marco regulatório para as explorações ainda não foram concluídas, mas a percepção de auxiliares pessoais do presidente insinuava que ele aproveitará a visita de hoje ao Rio, a fim de tornar pública a decisão de criar uma autarquia segundo o modelo adotado na Noruega, para cuidar exclusivamente do pré-sal.

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Lula pretendia fazer a revelação na plataforma da Petrobras no Campo Tupi, na Bacia de Santos, testemunhando a extração do primeiro barril de óleo do pré-sal e os primeiros testes de longa duração no setor. O deslocamento do presidente da República e da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, até a plataforma foi cancelado na tarde da última quarta-feira por razões meteorológicas e de segurança, segundo explicou o ministro Edison Lobão (Minas e Energia). Dessa forma, apenas Lobão e o presidente da Petrobras, Sérgio Gabrielli, além de técnicos da pasta e da estatal, realizaram a viagem de navio estimada em 14 horas na direção da plataforma.

Para marcar o evento, o presidente Lula participará de cerimônia na Marina da Glória, no final da tarde de hoje, comemorando simbolicamente a extração do primeiro barril de petróleo das imensas reservas do pré-sal no Campo de Tupi. O presidente lamentou não poder estar ao vivo e a cores na plataforma, mas preferiu acatar as normas de segurança que desaconselharam a viagem, em função do mar agitado na área e das altas ondas que fazem a plataforma balançar com muita intensidade.

Seus pés estarão firmes na terra, mas o que mais agradaria ao presidente Lula nesse 1.º de Maio seria a oportunidade de reviver o momento auspicioso do anúncio feito pelo então presidente Getúlio Vargas, que no passado exibiu aos fotógrafos as mãos espalmadas cobertas de petróleo, coroando a extraordinária cruzada realizada pelo povo brasileiro na criação da Petrobras. Lula deve estar acabrunhado, ele que conhece muito bem o extraordinário raio de alcance e o poder persuasivo dos meios de comunicação, pela inesperada ocorrência climática que o impediu de reproduzir o gesto histórico do presidente Vargas, a quem a propaganda oficial intitulava de “pai dos pobres”. O momento e o gesto teriam indiscutível força emblemática, porquanto Lula estaria acompanhado da ministra Dilma Rousseff, prestes a ser oficializada como candidata da base governista à sucessão presidencial, em outubro de 2010.

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A frustração de Lula, segundo os assessores, poderá (ou não) motivar o presidente a antecipar a notícia da criação da nova estatal para o petróleo do pré-sal, uma empresa que tudo indica estará aberta à associação com investidores interessados no desenvolvimento da multiplicidade do potencial exploratório do petróleo.

Deixando de lado as conjecturas, a Petrobras dará a largada nas atividades da maior jazida de petróleo conhecida em todo o Oceano Atlântico (a área do pré-sal da Bacia de Santos), com reservas estimadas em até 14 bilhões de barris em apenas dois campos. Segundo Mário Carminatti, gerente executivo de exploração da Petrobras, o teste de Tupi definirá qual deverá ser o esquema ideal de produção. “Temos certeza que Tupi tem excelente produtividade”, ratificou, explicando que o teste é importante para aprimorar o nível do conhecimento técnico e “melhorar a economicidade dos projetos”. O teste prevê a produção em dois poços ao longo de 15 meses, com a utilização duma plataforma com capacidade diária de 20 mil barris de petróleo. Os resultados do teste vão revelar a quantidade de poços necessários para o projeto, cujas reservas estão calculadas entre 5 bilhões e 8 bilhões de barris.

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Esse poderia ser o 1.º de Maio mais significativo para o presidente Lula em seis anos de mandato. O vento não deixou.