O mínimo que se pode dizer é que houve agradabilíssima surpresa com a divulgação dos resultados da pesquisa telefônica encomendada pelo Partido Verde (PV), numa abordagem preliminar da eventualidade do lançamento da candidatura da senadora Marina Silva (PT-AC), ex-ministra do Meio Ambiente, à presidência da República. A surpresa inesperada, dizíamos, configurou-se no reconfortante potencial demonstrado pela senadora acreana que figura nos vários cenários propostos com percentuais localizados entre 10% e 14% das intenções de voto dos entrevistados. Em se tratando de um nome que em nenhuma outra ocasião fora exposto à opinião pública como presidenciável, a pesquisa se encarregou de demonstrar que a atuação coerente e responsável da ex-ministra ainda é levada em alta conta pelos eleitores. A pesquisa revelou também um dado merecedor de máxima atenção por sua expressividade: a rejeição ao nome da senadora Marina Silva, em relação aos demais candidatos, ficou abaixo de 8%.

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A direção nacional do Partido Verde e a própria senadora Marina Silva também compartilharam os eflúvios estimulantes da pesquisa, que passaram a constituir tema obrigatório das conversações dos líderes verdes e da antiga servidora do governo Lula, em torno da possibilidade de viabilização da candidatura presidencial. Para os integrantes da executiva nacional do PV, a senadora demonstrou possuir um cacife respeitável que tem todas as condições de crescer ainda mais.

As primeiras análises da pesquisa convergem para o entendimento de que a senadora Marina Silva acabou beneficiada pela forma desrespeitosa de seu afastamento do cargo de ministra do Meio Ambiente, numa espécie de queda de braço do governo com os empresários do agronegócio interessados em alargar, a qualquer custo, a fronteira agrícola na Amazônia Legal. Os índices de desmatamento na região, ao que parece, estão cada vez mais abundantes, a despeito das objurgatórias midiáticas do atual ministro Carlos Minc, prometendo cadeia e outros castigos dantescos aos destruidores da floresta.

Por outro lado, a própria sanção presidencial da Medida Provisória (MP) 458 para tratar dos assuntos de regularização fundiária na região, mediante a qual se exigirá das propriedades rurais a preservação de 80% da floresta nativa, poderia significar também uma vitória da ex-ministra que sempre se bateu pela adoção de um modelo de exploração sustentável da floresta, conforme preconizam pesquisadores e ambientalistas com experiência na realidade amazônica. Basta recordar que ela foi alijada do governo por discordar da frouxidão com que o governo lidava com os responsáveis pela ocupação desordenada da Amazônia Legal.

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Dessa forma, a surpreendente manifestação dos eleitores em relação a uma eventual candidatura de Marina Silva à sucessão de Lula, poderia ser interpretada como um sinal claro do pensamento de parcela significativa da sociedade sobre as eleições de 2010 e, acima de tudo, de inquestionáveis preocupações com o tema da preservação ambiental. Atentos a esse pormenor, membros da executiva nacional do PV trabalham no sentido de convencer a senadora a decidir-se pela filiação ao partido até 3 de outubro próximo, prazo prescrito pela legislação eleitoral para a mudança de siglas. Internamente, a convicção é que o PV teria como candidata presidencial a mais acatada referência nacional na luta contra a destruição do meio ambiente.

Programaticamente atrelado à causa ambiental, o PV já admite com base nas projeções de alguns dirigentes que o forte conteúdo da mensagem ambiental de Marina poderá levar a eleição para o segundo turno. A observação prende-se ao fato de que os dois contendores de maior projeção, o governador paulista José Serra e a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, segundo a pesquisa, não são vistos pelos eleitores como defensores irredutíveis da preservação da natureza. Esse tipo de apelo, avalizam os comandantes do PV, é marca intransferível da ex-ministra Marina Silva que, inclusive, conseguiu sensibilizar ouvintes importantes no Primeiro Mundo.

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