O papa Bento XVI está realizando sob muitos protestos e fortíssimo esquema de segurança sua primeira viagem ao Oriente Médio tendo desembarcado ontem de manhã (4.º dia da visita) no aeroporto internacional Ben Gurion, em Tel-Aviv, capital de Israel. Sua santidade deverá permanecer cinco dias em Israel, cumprindo uma extensa agenda de visitas a locais sagrados para o cristianismo, além de conhecer também o Museu do Holocausto, onde participará de um encontro com os rabinos chefes de Israel. Em outro momento, o papa terá uma reunião conjunta com integrantes da comunidade cristã em Israel, Jordânia e territórios palestinos, liderados pelo patriarca latino de Jerusalém, Fouad Twal, além de religiosos israelitas e islâmicos.

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As primeiras palavras de Bento XVI em território israelita, na jornada que o Vaticano considera uma “peregrinação pela paz”, mencionaram a questão da criação do Estado palestino: “Peço a todos os responsáveis que explorem todas as avenidas de possibilidades em busca de uma solução justa para as dificuldades pendentes”, encarecendo a necessidade de um esforço resoluto “para que ambos os povos possam viver em paz em uma terra própria dentro de fronteiras seguras e reconhecidas internacionalmente”.

O presidente israelita Shimon Peres, no discurso de saudação ao pontífice, tinha dito minutos antes que a expectativa geral é que a visita papal à Terra Santa “ajude a pavimentar o caminho para a paz”. Bento XVI lembrou os valores comuns partilhados por Israel e o Vaticano, salientando o desejo de colocar a religião no devido lugar na sociedade. Um tópico importante de seu discurso foi a revelação de que rezaria pelos seis milhões de judeus vitimados pelo Holocausto, além de assegurar o desejo de combater o antissemitismo em todo o mundo: “Terei a oportunidade de honrar a memória dos seis milhões de judeus vítimas do Holocausto, pois, infelizmente, o antissemitismo continua a elevar sua feia cabeça em muitas partes do mundo. Isso é totalmente inaceitável”, declarou.

A manifestação do papa foi recebida, ao mesmo tempo, com alívio e reserva, vez que ainda não está suficientemente esclarecida pelo Vaticano a decisão de Bento XVI suspender a ordem de excomunhão do bispo inglês Richard Williamson que negou a veracidade histórica do massacre de judeus durante a II Guerra Mundial. Líderes religiosos e políticos israelenses realizaram protestos em várias partes do país, também motivados pela decisão polêmica de aprovar a canonização de Pio XII, lembrado por inúmeros historiadores pela omissão em relação à perseguição e extermínio de seis milhões de judeus pelo regime nazista alemão. Existe, ainda, a expectativa da abertura dos arquivos da Igreja sobre o período da II Guerra Mundial, o que permitirá aos pesquisadores o esclarecimento definitivo do comportamento de Pio XII em relação ao Holocausto.

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O novo primeiro-ministro israelense Binyamin Netanyahu, que ouviu com respeitosa atenção o primeiro discurso do papa em solo israelita, no entanto, ainda não decidiu incluir em sua agenda a proposta de criação do estado palestino. Na semana passada, ele havia pedido que as negociações sejam retomadas “o quanto antes e sem pré-condições”. Logo depois da chegada de Bento XVI, Netanyahu viajou para o Cairo a fim de encontrar-se com o presidente egípcio Hosni Mubarak. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores de Israel, Yigal Palmor, entretanto, disse aos jornalistas que a visita de Bento XVI não tem o propósito de negociar a criação do estado palestino.

Shimon Peres, na saudação ao pontífice romano, havia tocado num ponto sensível: “Construímos a paz com o Egito e a Jordânia e estamos negociando a paz com os palestinos. Nós também podemos chegar a uma solução regional ampla em futuro próximo”.

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Além do encontro com religiosos judeus e muçulmanos e com o presidente palestino, Mahmoud Abbas, Bento XVI visitará também a Cúpula da Rocha, o Muro das Lamentações, a Praça da Manjedoura, em Belém (Cisjordânia), a Basílica da Anunciação em Nazaré, e, finalmente, antes de retornar a Roma, na sexta-feira, a Igreja do Santo Sepulcro.