Pelo menos a comida

Estamos no meio de uma crise sem precedentes. Após tantos anos com problemas na economia de países “periféricos”, como os “Tigres Asiáticos”, a Rússia, o Brasil e até mesmo o Japão, agora o “buraco é mais embaixo” -quer dizer, é mais em cima, pois o olho do furacão está nos Estados Unidos. Isto obriga todas as nações (talvez com a exceção da China) a apertarem o frio e pensarem em reduzir investimentos e produção. É a recessão que vem aí.

Neste vendaval de más notícias (que não parece salvo nem com a aprovação do “pacotão” de George W. Bush pelo Congresso norte-americano), os paranaenses têm um alento e tanto. Os alimentos que compõem a cesta básica tiveram redução de preço de 5,14% em setembro, na comparação com agosto. Em dois meses, aponta a repórter Lyrian Saiki na edição de ontem de O Estado, a queda passa de 10% – exatos 10,72%.

É uma boa notícia, inegavelmente. Por mais que alguns consumidores não consigam perceber isto no final da conta do mercado ou na sacola da feira (até porque, no acumulado de 2008, a alta é significativa, de 16,49%), o principal é que a tendência de alta dos alimentos, que era forte até a metade do ano, estancou, e que há mais demanda que procura, o que justamente explica a redução nos preços. Os “heróis” da cesta básica foram o tomate, que teve queda de 25,21%, e a batata, com redução de 19,65%.

Melhor para quem compra, claro. Mas as recomendações dos economistas, dos especialistas em direito do consumidor e das donas de casa continuam fortes. Não adianta nada comemorar a redução da cesta básica, é necessário pesquisar, pesquisar e pesquisar. Cada mercado, cada barraca da feira tem seu preço para os produtos. Não precisamos comprar todos os produtos num mesmo lugar. Nos bairros há muitas opções para quem quiser diminuir seu gasto com alimentação sem diminuir o tamanho da compra.

E aproveitemos este momento. Afinal, do jeito que as coisas andam na economia, esta seja uma das raras boas notícias dos próximos meses.

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