O deputado federal Michel Temer (PMDB-SP), presidente da executiva nacional do partido, como os demais membros do Congresso, aproveita o recesso para o descanso de praxe, embora se disponha estoicamente a carregar algumas pedras pensando no bem da Câmara dos Deputados, na reivindicação de um direito inerente à maior bancada da instituição e, por que não dizer, na felicidade geral da nação. Parlamentar experiente que é, com trânsito desimpedido em todos os partidos da base, Temer tem se dedicado com esmero exemplar à tarefa de conquistar votos para garantir a eleição para a presidência da casa no biênio 2009-2010.

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A julgar pelo estoque de adesões à sua candidatura, o representante paulista já pode comemorar a vitória, embora não o faça em atenção à modéstia e à ética da corporação, afinal, valores que os parlamentares tupiniquins cultuam com piedosa devoção. No início da semana Temer dispunha dos votos de 417 deputados, garantidos pelo apoio indireto do PDT que num arroubo de realismo político abandonou o chamado bloquinho (PDT, PSB e PCdoB), cujo candidato é o deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP), para reforçar o cacife do presidente do PMDB. A decisão foi comunicada pessoalmente ao deputado pelo ministro do Trabalho, Carlos Lupi, presidente licenciado do PDT e pelo líder do bloquinho, deputado Mário Heringer (PDT-MG). São também candidatos à presidência da Câmara, os deputados Osmar Serraglio (PMDB-PR) e Ciro Nogueira (PP-PI), herdeiro presuntivo do espólio do tristemente lembrado Severino Cavalcanti.

Os atuais 417 votos de Temer (o número pode crescer) estão localizados nas bancadas dos 11 partidos da base e, sem surpresa, também nos grêmios oposicionistas PSDB e DEM, ademais da concordância tácita do PT que negocia uma contrapartida justa e equilibrada na indicação do senador Tião Viana (AC) para a presidência do Senado. A composição harmoniosa é do inteiro agrado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, defensor da tese da divisão salomônica, com o que não concorda o PMDB, disposto dessa vez a empalmar o comando de ambas as instâncias congressuais. Na tentativa de degustar o prato que lhe servem, o presidente tem expedido alguns recados explícitos por intermédio dos principais operadores, assinalando que se não houver jeito de conter a renitência do PMDB, só há um nome capaz de apaziguar a inquietação do Palácio do Planalto, o senador José Sarney (AP).

A questiúncula adquiriu algum teor de complicação com o autolançamento da candidatura do senador Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN), eleito para a presidência do Senado em mandato-tampão decorrente da renúncia do alagoano Renan Calheiros. A cavaleiro de pareceres jurídicos que, segundo ele, conferem validade à pretensão de conquistar um segundo mandato, querendo ou não, Garibaldi assumiu todos os possíveis contratempos da hegemônica disposição peemedebista de acumular, como em ocasiões anteriores, as presidências da Câmara e do Senado.

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A sucessão do petista Arlindo Chinaglia (SP) na presidência da Câmara resultou do entendimento da base de restituir ao maior partido a prerrogativa do comando da mesa diretora, recaindo a escolha na pessoa do deputado Michel Temer. No outro lado, quando os senadores do PMDB concluíram pela conveniência de fazer valer o direito de bancada majoritária e continuar com a presidência, o caldo engrossou porque as pitonisas que pululam em torno do gabinete presidencial, desencavaram a altruísta necessidade de assegurar o equilíbrio de forças na direção do Congresso. E para isso, nada mais correto que repartir o bolo em partes rigorosamente iguais entre PT e PMDB.

Diante do imbróglio prejudicial a todos, alguns defendem candidatura única em ambas as casas. Ao que parece Temer não terá problemas na Câmara, mas o mesmo raciocínio não se aplica ao senador Tião Viana, que poderá sucumbir à força da maior bancada. No dia 2 de fevereiro tudo será esclarecido.

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