Estão todos – políticos, interessados, analistas – fazendo força para que o cenário da eleição no Paraná em 2010 seja apresentado logo. Alguns personagens já se definiram: o senador Osmar Dias (PDT) será candidato a governador, o governador Roberto Requião (PMDB) será candidato a senador. Mas o principal (usando um termo comum na área de negócios) “player” desta campanha ainda não definiu seus movimentos.
É o prefeito de Curitiba Beto Richa (PSDB). No auge das discussões de bastidores, ele decidiu pegar alguns dias de férias e foi para a Europa. Voltou com seu nome incensado por mais uma pesquisa do Ibope apontando a sua popularidade e o favoritismo nos números para o governo do Estado – pelo menos em Curitiba. Poderia ser o momento ideal para colocar as cartas na mesa e apresentar oficialmente a candidatura. Ou anunciar sua permanência na prefeitura até 2012, quando acaba a gestão para a qual foi eleito em 2008. Mas nada disso aconteceu.
Após se reunir com o presidente do PSDB no Paraná, deputado estadual Valdir Rossoni, Beto Richa não saiu do lugar. Em resumo, manteve seu silêncio, evitando falar no assunto e preferindo tratar de sucessão estadual apenas no início do ano que vem.
Foi o que contou na edição de ontem de O Estado a repórter Elizabete Castro: “Rossoni disse que conversou com Beto sobre a pesquisa do Ibope e relatou o diálogo que manteve com o presidente nacional do partido, senador Sérgio Guerra, sobre o grau de interferência da eleição presidencial nas definições estaduais. Os tucanos do Paraná temem ser levados a uma composição ditada nacionalmente. (…) De acordo com Rossoni, o PSDB do Paraná ainda tem um longo caminho pela frente antes de decidir como disputará a eleição e com quem na cabeça de chapa. ‘A nossa conversa com o Beto não muda. O momento de decidir não é agora’, disse”.
O pedido público de paciência não é de Rossoni para Beto nem vice-versa. É para o público, para os tucanos que querem pressa, é para o senador Alvaro Dias. O recado embutido também é claro: a decisão vai demorar a ser declarada, mas já está tomada, e é que o PSDB vai de Beto em 2010.