Paz, verdade e cooperação

No Brasil, existe enorme potencial de solidariedade e voluntariado dentro das pessoas e das instituições. Entretanto, necessita ser despertado e colocado em ação, diuturnamente. Os cidadãos de bem sentem a necessidade interior de doar algo de si, de seu tempo e de seus talentos para o bem do semelhante. O saudoso papa João Paulo II ressaltava que o progresso econômico e o desenvolvimento das ciências são fontes de fascínio, mas incutem também temor ao ser humano sobre a razão e a liberdade.

Nos quadrantes da terra, há necessidade de paz, cooperação, senso crítico e maior disseminação da verdade cristã. Ao mesmo tempo, é preciso que o jovem trace para a sua vida horizontes seguros, e não se deixe frustrar, nem ficar perdido sem rumo. No convívio familiar, escolar, social e profissional, é fundamental que ele mostre o seu potencial, defenda seus ideais, incorpore valores e adquira conhecimentos para crescer e se realizar.

Um dos maiores desafios que os países, governos e a humanidade toda enfrentam é o de promover o desenvolvimento social e econômico de forma equilibrada, democrática e pacífica. Pessoas e estados têm que ser promotores da cultura da vida. A meta de consolidar um planeta melhor é prioridade na formação universitária. O estudante construtivo e entusiasmado bem sabe que direitos e posses não são uniformes, nem no Brasil, nem em lugar algum. Porém, o acadêmico sabe também que o bem e o bem-estar dos outros é o objetivo maior da educação.

É função da universidade envolver a mocidade em projetos comunitários e sociais, com o propósito de construir a civilização do amor, edificar a cultura da paz e promover a verdadeira fraternidade. Como educadores, estamos voltados para esses novos valores universais e para a consolidação da cidadania, da ética e da solidariedade.

A construção da cultura da paz, a redução das desigualdades sociais e a superação das diferenças étnicas e inter-religiosas são exigências e pilares da modernidade. Vive melhor e mais feliz quem convive em harmonia com a família, a sociedade, a escola, a empresa e a comunidade. As âncoras da cidadania e do desenvolvimento são a paz, a solidariedade, o respeito, a liberdade e a cooperação.

Nesse contexto, o cidadão universal deve ser cada vez mais cooperativo e solidário. A melhor maneira de formar os acadêmicos para viverem nesse ambiente é a de oportunizar-lhes meios e recursos de um envolvimento comunitário, por meio de trabalhos de campo, estágios e atividades de voluntariado. Temos insistido na idéia de que as universidades, a igreja, os meios de comunicação e outros organismos não ignorem o clamor dos necessitados e dos segmentos carentes da sociedade.

A solução dos conflitos regionais e problemas sociais não será possível sem a ação conjunta de governos, sociedade e colaboração individual dos cidadãos. Formas de convivência harmoniosa precisam ser praticadas e divulgadas, cotidianamente. Entendemos que o relacionamento pacífico não é só possível, como não há outra maneira para o ser humano continuar vivo.

Sob esse aspecto, insistimos que é fundamental educar as novas gerações para a firme vontade de tornar o planeta melhor para todos os seres vivos. Isso implica formar a cabeça para bem pensar, descobrir e conjugar esforços coletivamente, trabalhar para substituir a cultura do egoísmo, das vaidades e da competitividade exacerbada pela cultura da felicidade. Compete a nós facilitar os meios e desenvolver as competências para que crianças e jovens implementem projetos exeqüíveis visando à prática do bem comum.

Clemente Ivo Juliatto é reitor da Pontifícia Universidade Católica do Paraná e integrante da Academia Paranaense de Letras.

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