Não há notícia de um político mais devassado no Brasil. E, também, não há notícia de um político mais processado – e, quem sabe, mais culpado. Mesmo assim, ele não desiste, vai para mais uma disputa nas urnas com o mesmo estilo e a mesma confiança, apesar de seu estilo de fazer política estar para lá de ultrapassado. Talvez por isso Paulo Maluf (PP) seja uma personalidade tão surpreendente.

continua após a publicidade

Ele mantém-se como quarto colocado em todas as pesquisas de intenção de voto para a Prefeitura de São Paulo. Bem distante dos líderes Marta Suplicy (PT), Gilberto Kassab (DEM) e Geraldo Alckmin (PSDB), Maluf nem se abala. Garante que estará no segundo turno, que vai vencer Marta na decisão e será, pela terceira vez, prefeito da maior cidade do País.

Convenhamos. Para Maluf, estar em uma eleição quase quarenta anos depois de ser nomeado prefeito de São Paulo pelo regime militar é uma proeza. Desde o início de sua trajetória teve problemas de ordem ética – como, por exemplo, na doação de carros para os campeões da Copa do Mundo de 1970, que mais tarde provou ser uma apropriação indébita de dinheiro público.

Apoiado sempre em obras faraônicas, em bom contato com os “poderosos” e uma retórica que fez a alegria dos humoristas, Paulo Maluf foi mantendo a força. Chegou, em 1978, ao governo do Estado de São Paulo, após uma briga com os principais caciques da Arena, então o partido do governo – sua candidatura não foi aceita pelo então governador, Paulo Egydio Martins.

continua após a publicidade

Também foi assim na eleição presidencial de 1985, quando foi derrotado fragorosamente por Tancredo Neves – ao ser perguntado, Maluf diz que foi “importante para a consolidação da democracia”. Seria o fim de uma carreira, mas ele conseguiu ganhar a eleição municipal em São Paulo em 1992, eleger seu sucessor (Celso Pitta) e, depois de um sem-número de processos e incríveis descobertas de contas na Suíça, foi eleito deputado federal.

E tem um público fiel – hoje, cerca de 10% do eleitorado paulistano. Paulo Maluf, apesar de tudo, é “inquebrável”.

continua após a publicidade