Patrimônio ameaçado

Curitiba está na semana de aniversário. Há muito a comemorar. Os números do desenvolvimento são notáveis e o poder público se mostra interessado em promover o crescimento ordenado da capital do Paraná.

Até por isso é importante ressaltar o fato noticiado ontem em O Estado. O texto é do repórter Flávio Laginski: “O que era para ser um ponto turístico de Curitiba está se transformando em um espaço sujo e até perigoso para ser frequentado. A praça 19 de Dezembro, conhecida também como a ‘Praça do Homem Nu’, no centro da cidade, está virando um abrigo para mendigos, o que vem causando muita indignação dos comerciantes e taxistas que trabalham nas suas proximidades”.

O crescimento vertical de Curitiba fez com que as praças ficassem literalmente “encravadas” no centro. Logradouros como as praças Zacarias, Osório e a própria 19 de Dezembro estão cercadas por prédios e casas comerciais, com uma tremenda circulação de pedestres na região, aumentada pelo afluxo do transporte coletivo (municipal e intermunicipal).

Cuidar destas praças é, acima de tudo, promover a melhoria de toda uma região. O que acontece no local propriamente dito se espalha pelas ruas do entorno. Os mendigos que ficam na “Praça do Homem Nu” (que, é bom lembrar, é o monumento construído para rememorar a emancipação política do Paraná, que completará em dezembro próximo 155 anos) vão vagar pelas vias próximas, e vão importunar quem vive ou trabalha por ali.

Mas, principalmente, acaba retirando das ruas quem passa por ali pensando em consumir – seja nos restaurantes ou lanchonetes, seja nas farmácias ou mercados, ou mesmo nas lojas de roupas, calçados e instrumentos musicais comuns na região da Praça 19 de Dezembro. Quem é maltratado na via pública não volta mais, a não ser em casos de extrema necessidade. E, mesmo assim, se puder escolher, não retorna onde passou por dificuldade.

E é por isso que a prefeitura de Curitiba trabalha para manter as praças do centro da cidade em bom estado de conservação. Com esses logradouros “arrumados”, o efeito cascata desaparece.

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