Quarta-feira, o secretário de Estado da Segurança Pública, Luiz Fernando Delazari, anunciou que todos os motoristas com a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) suspensa por excesso de multas terá que entregar a dita ao Departamento de Trânsito do Paraná (Detran-PR). E, como relatou a repórter Mara Andrich, “poderá ser preso pelo crime de desobediência, que prevê detenção de 15 dias a seis meses. A medida vale para qualquer cidadão, seja ele da área política, judicial ou policial. (…) Os condutores que já receberam a notificação do Detran para entregar a carteira – cerca de 69 mil pessoas em todo o Estado – devem fazê-lo, caso contrário receberão a ‘visita’ de um policial militar e terão que entregar o documento na mesma hora. Já os que receberem a notificação a partir de hoje, terão 48 horas para entregar o documento. A entrega deve ser feita em qualquer posto do Detran”.

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O posicionamento surge muito tarde. Primeiro, porque milhares de motoristas com a CNH suspensa estão andando por aí, provocando acidentes e tirando a vida de pessoas – e estas não voltarão mais, infelizmente. E está distante também do fragor da comoção que seguiu o acidente que matou dois jovens e que foi protagonizado pelo deputado estadual Luiz Fernando Ribas Carli Filho (PSB), este com mais de cem pontos na carteira de motorista.

Pela pompa que foi apresentada, com direito a entrevista coletiva e com declarações espetaculares (como contou a reportagem de ontem de O Estado, “o assessor jurídico do Conselho Estadual de Trânsito, Marcelo Araújo, comentou que nenhum estado fez o que está sendo feito no Paraná”), a decisão da secretaria da Segurança Pública teve todo o jeito de ato político – Delazari pode ser um dos candidatos preferidos do governador do Paraná para a Assembleia Legislativa ou para a Câmara Federal.

Para mostrar que não é apenas um factóide, a sociedade espera a ação dos órgãos de segurança. Não basta apenas chamar os jornalistas e dar publicidade a uma determinação que não vai sair do papel. Se os motoristas continuarem tentando ludibriar a lei, que o poder público aja com brevidade para evitar mais tragédias como a que vitimou os garotos Carlos Murilo e Gilmar Rafael. O secretário sabe bem disso – é o que esperamos.

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(Por sinal, abrindo um parêntese, como andam as investigações? Esta semana aconteceu a reconstituição pericial do acidente envolvendo o deputado Carli Filho, mas não foram noticiados avanços no caso. Há muita gente que aposta no esquecimento do assunto para permitir a impunidade daqueles que forem considerados culpados pela Justiça. Mas que não se animem, pois os cidadãos continuam esperando as respostas para o acidente que paralisou o Estado e comoveu o País. Fecha parêntese.)

Como disse o próprio secretário Delazari, há quem ache que vai sempre passar impune. Neste caso das carteiras suspensas, ainda mais, porque o número é grande, e imagina-se que o poder público não vai entrar em uma história tão complicada. Mas é justamente em situações como esta que o governo precisa agir, mostrando que está interessado no bem comum, e não apenas nos poderosos e em seus amigos. O secretário sabe bem disso – é o que esperamos.

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E não é apenas apreendendo a CNH dos pobres que vai se fazer uma ação correta. Os poderosos (quantos deputados mesmo?) que não poderiam dirigir precisam também entregar suas habilitações para o Detran. E se não entregarem, que a Polícia Militar busque nas residências. Não pode haver exceção na lei. Nem para os políticos, nem para os ricos, nem para os pobres, nem para os amigos. O secretário sabe bem disso – é o que esperamos.