Hélio Duque

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As políticas miúdas, rasteiras, primitivas e carregadas de desqualificações pessoais é antítese da formação histórica do povo paranaense. Não corresponde e agride a importância econômica e cultural do Estado no cenário nacional. A sociedade paranaense é gigante na sua luta, objetivando a construção de um padrão civilizatório respeitado e admirado pelos brasileiros.

O Paraná é um exemplo de integração, de tolerância e pluralismo de idéias, que deve servir de referência nacional. Aqui se formou uma sociedade com etnias originárias das mais diferentes regiões do globo terrestre. Igualmente de brasileiros das várias regiões que aqui aportaram na busca de um porto seguro para o futuro dos filhos e netos. O amálgama da sociedade paranaense é essa mistura de elementos que, embora diversos, contribuem para formar um todo. É a terra de todas as gentes.

O trabalho desafiador dos seus pioneiros colonizadores, ao ocupar e levar o progresso às regiões desocupadas nos últimos 80 anos, completou a tarefa de unificar o desenvolvimento na integralidade da sua geografia de norte a sul e de leste a oeste. Brotou uma sociedade moderna, vigorosa e corajosa no enfrentamento de desafios. Quem conhece o Paraná na sua totalidade, expressada nas diferentes regiões, sabe que aqui se estruturou uma realidade de um povo valente e insubmisso, gerador de progresso e desenvolvimento.

Minoritário, mas de grande expressão na ocupação de espaços nas representações corporativas da política, da economia e da administração pública, viceja um outro Paraná. Tímido, provinciano e antropofágico, canaliza as energias para lutas menores. Alguns setores da própria ?mídia? estão impregnados dessa filosofia da submissão. A energia transformadora é esterilizada. Lutar e prestigiar os que desejam quebrar esse círculo vicioso é impensável. Deveriam recolher o ensinamento de Ruy Barbosa: ?Maior que a tristeza de não haver vencido é a vergonha de não ter lutado?.

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A timidez e a passividade dessa minoria paranaense no plano nacional é uma agressão ao espírito desafiador e irredentista do seu povo. Veja o exemplo do que ocorre no cenário político. A visão obtusa da política atrapalhada e personalista enfraquece o Estado no diálogo altivo que deve ser travado com o poder central. A política paranaense fala forte no plano interno das fronteiras estaduais, mas é omissa e ausente no grande debate nacional. Com grandes prejuízos para o desenvolvimento estadual. Não se prestigia a omissão.

Mas nem sempre foi assim. Em passado recente e em diferentes momentos e governos, o Estado foi prestigiado e tinha presença afirmativa na administração central da República. Tinha voz e presença respeitada. Na última década e meia, ausentou-se da vida política nacional. Com graves reflexos negativos para o seu desenvolvimento.

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O Paraná precisa retomar essa rota perdida por incompetência e auto-suficiência provinciana. E essa é uma autêntica cruzada de retomada da auto-estima. O Paraná contribui expressivamente para a geração da riqueza nacional. Fruto do trabalho da sua gente operosa e anônima na indústria, na agricultura, nos serviços e setores afins e tem um retorno mínimo, para suas políticas públicas. Não se trata de reivindicar, mas de exigir aquilo que tem direito. Precisa ter voz independente e firme, expressada pelos seus homens públicos, entidades de classe em todos os níveis, começando por aquele que tem a responsabilidade de governá-lo.

É preciso banir a visão da política miúda, desqualificante nos planos pessoais dos adversários, substituindo por debates propositivos de idéias qualificadas, que o recoloque na posição de respeito dentro do pacto federativo.

O Paraná tem alma de gigante no enfrentamento de desafios. Assim foi no passado. É preciso recalibrar essa alma no presente, para que exista no futuro uma realidade integradora no desenvolvimento com justiça social para o seu admirável povo.

Hélio Duque é doutor em Ciências, área econômica, pela Universidade Estadual Paulista (Unesp). Foi deputado federal (1978-1991). É autor de vários livros sobre a economia brasileira.