“No dia 18 de dezembro do ano passado, logo após a diplomação, quando Kátia quis orientar Galdino sobre as formalidades do evento, foi quando, segundo a delatora, ocorreu o assédio. ‘Falei que ele teria de cumprimentar as autoridades presentes e posar para as fotos oficiais. Ele se recusou. Falei que ele estava se comportando como uma criança e que iria dar a ele uma chupeta’, disse. ‘Daí ele respondeu que havia muito tempo que não fazia sexo oral e que por isso, aceitaria uma chupeta’, contou”.
O texto do repórter Roger Pereira, na edição de ontem de O Estado, recria um dos fatos mais insólitos da política paranaense nos últimos tempos – a expulsão do vereador Professor Galdino do Partido Verde (PV), acusado de assédio sexual contra a ex-assessora parlamentar Kátia Rosana Curtis de Mello.
(É bom lembrar que, durante a semana, Galdino demitiu dois assessores de seu gabinete. Eles foram nomeados pelo partido e não apareciam na Câmara de Vereadores de Curitiba.)
Além de um problema político, que tem outras repercussões e derivações (Kátia era assessora do ex-vereador Paulo Salamuni, que pode ganhar a vaga de Galdino caso ele seja cassado. O PV quer a cadeira do vereador, e vai à Justiça Eleitoral com esse intento), o caso passa a ser uma disputa de versões. De um lado, Kátia sustenta que foi assediada; de outro, Galdino garante que não fez nada.
Sendo verdade a história contada pela ex-assessora parlamentar, o vereador teria agido com ironia excessiva e usado de palavras infelizes. Há expressões que não podem ser usadas em ambiente profissional, pois qualquer interpretação pode gerar acusações e constrangimentos para os envolvidos. O termo “chupeta”, que virou até manchete, é realmente de duplo sentido e de péssimo gosto. Sabe-se, é certo, que no convívio profissional ouvem-se coisas piores, mas na política não cai nada bem.
Galdino e Kátia terão agora que apresentar suas testemunhas e provarem que estão dizendo a verdade. Um deles está com a razão, as suspeitas vão recair sobre o PV caso o vereador esteja correto.