No município de São Paulo, maior colégio eleitoral do País, onde a eleição do prefeito (assim como a de governador do Estado), nos últimos tempos passou a exercer uma influência extraordinária sobre a eleição de presidentes da República, tudo leva a crer que a candidata petista Marta Suplicy estará no segundo turno. A dúvida aflorada pelas últimas pesquisas de opinião pública é sobre quem será o adversário da ex-prefeita: Geraldo Alckmin (PSDB) ou o atual prefeito Gilberto Kassab (DEM), que concorre à reeleição. A batalha entre ambos está renhida e os votos disputados um a um, num embate eleitoral como há muitos anos não se assistia.
O instituto Datafolha revelou na última pesquisa que pela primeira vez na campanha, o prefeito Gilberto Kassab está tecnicamente empatado com o ex-governador Geraldo Alckmin, cada um com 22% das intenções de voto. Marta está na frente com 37%. O candidato aprovado para enfrentar a petista no segundo turno, para usar uma expressão bastante conhecida nos meios turfísticos, somente será conhecido no fotochart, tal é o emparelhamento que mantêm até o presente momento, quando a campanha entrou na sua reta final. Analistas políticos opinam que, provavelmente, a diferença a mais para Alckmin ou Kassab não exceda a diminuta margem de erro da pesquisa (2%).
Uma situação peculiar à disputa pela Prefeitura paulistana está sendo vivenciada pelo governador José Serra (PSDB), visivelmente constrangido pelo fato do democrata Kassab ter sido seu companheiro de chapa na eleição anterior. A seguir, mesmo tendo registrado em cartório a promessa de exercer o mandato de prefeito até o último dia, Serra deixou o cargo para disputar a eleição para o governo estadual. Com a vitória, passou o cargo para o vice, de quem não se sentiu agora à vontade para cancelar o apoio. Ocorre que o ex-governador Geraldo Alckmin, derrotado por Lula na eleição presidencial de 2006, tomou a iniciativa de embolar o meio-de-campo e atropelar a coligação PSDB-DEM, lançando-se também na liça.
Pressionado pelo partido, o governador José Serra tem feito das tripas coração para demonstrar apoio ao candidato identificado pela plumagem do tucanato. Por outro lado, não pode decepcionar nem o candidato à sucessão e, tampouco, a expressiva revoada de tucanos compromissados com o atual prefeito. A voz corrente nas bandas da Paulicéia assegura que a preferência pessoal do governador é por Gilberto Kassab, que tem crescido nas pesquisas e, exatamente por isso, passou a sofrer uma marcação mais cerrada de Alckmin. Na hipótese viável do segundo turno Marta e Alckmin empatariam em 47% e, contra Kassab, a ex-prefeita venceria por um ponto percentual: 46% a 45%.
Num contraponto com Curitiba, o prefeito Beto Richa (PSDB), mesmo auxiliado por um potente binóculo só consegue divisar alguns vultos esmaecidos a uma distância inimaginável. O Datafolha confirmou, numa série de repetições desmoralizantes para os demais contendores, a folgada vantagem do tucano. A oposição tentou tudo, desde a orquestração da cruzada pelo voto útil (segundo turno pelo amor de Deus!), até o recurso bisonho de lançar dúvidas sobre a correção das pesquisas, seguido da desesperada solicitação encaminhada ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE), visando obter a suspensão do anúncio dos resultados da pesquisa mais recente.
Nada foi suficiente para mudar a decisão do voto cristalizado pela maioria absoluta do eleitorado curitibano. O candidato do PMDB, Carlos Augusto Moreira Junior, mesmo tendo apresentado durante a campanha propostas dignas de consideração, por outro lado, não teve condições para tornar menos prejudicial o peso da repulsa atribuída pelos eleitores ao governador Roberto Requião, tido como responsável pelo ingresso do reitor na política partidária. Gleisi, que decerto esperava mais, estacionou no patamar de 15% das intenções de voto e, a duas semanas do pleito, teria de dar um salto formidável para colar em Beto, obrigando a realização do segundo turno. Com a palavra, o eleitor.