Clemente Ivo Juliatto

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Toda aprendizagem tem também uma base emocional. Por isso, é fundamental entusiasmar as crianças e os jovens a aprenderem simultaneamente por meio da palavra e do testemunho, processo que começa na família, continua na escola e prossegue na vida toda. Pais e professores, procurem transmitir a seus filhos e alunos mais do que lições de conhecimentos. Sejam mestres na ciência, no exemplo cotidiano, nas posturas e nas atitudes. Tenham presente que vocês são observados e considerados também como modelos. Por essa razão, é preciso que os pais e professores sejam eternos educadores.

Mais importante do que o ensino é a aprendizagem, porque esta é o fim e aquele é o meio. Temos consciência de que, se o estudante falha no aprender, é porque o mestre, de alguma forma, também falha no ensinar. Albert Einstein ensinou: ?A suprema arte do professor é despertar alegria na expressão criativa e no conhecimento do aluno?. Acrescento a recomendação do educador Alfred North Whitehead: ?O mais importante é que o estudante experimente a alegria da descoberta?. Em sua maioria, professores, pais e comunicadores estão convencidos de que a educação, mais do que produto, é processo de crescimento humano e construção do saber legítimo.

Por certo, a pedagogia criativa, a motivação, a curiosidade intelectual e o empenho do professor fazem enorme diferença nas escolas e universidades. Não imaginemos que os alunos vão aprender tudo o que é ensinado. Longe disso! A educação adquirida é apenas iniciação nos conceitos e nas aptidões básicas para a profissão e a vida. O importante mesmo é que o estudante saia da escola disposto a continuar aprendendo, mas bem equipado com o instrumental necessário, em condições de prosseguir sozinho no permanente caminho da auto-educação e do auto-aperfeiçoamento. A educação é a fascinante aventura de aprender a vida inteira. Nessa caminhada, cada um avança mais ou menos na medida do seu talento e do seu esforço.

O filósofo Soren Aabye Kierkegaard dizia: ?O que realmente importa na faculdade não é que o aluno aprenda isso ou aquilo, mas que a sua mente se desenvolva e que a sua energia interior seja despertada?. A pessoa culta e educada não é aquela que sabe tudo, mas aquela que sabe onde encontrar o que desconhece e sabe se comportar frente a situações de desafio que a vida lhe oferece. Por isso, quero convidar o professor a ser criativo nas suas atividades acadêmicas e didáticas, a entusiasmar os seus alunos e a considerar, com apreço, o que já dizia Galileu: ?Você não pode ensinar tudo a ninguém; você somente pode ajudar alguém a encontrar o que procura por si mesmo?.

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Vocês, estudantes, são a razão de ser das instituições de ensino. Uma universidade faz muitas coisas, mas, de longe, a mais importante de todas é bem educar para a vida os seus acadêmicos. A escola é facilitadora: ela só ajuda os estudantes a se educarem a si mesmos. O valor da educação adquirida na escola é medido pelo que cada estudante consegue agregar ao seu desenvolvimento integral durante os anos de estudo. Isso abrange o intelectual, o profissional, o emocional, o ético, o cívico e o espiritual.

Estudantes inquietos e curiosos – não quero dizer agitados e rebeldes -, não se contentem com a simples média, porque média lembra mediocridade, palavras que possuem a mesma raiz. Caros estudantes, busquem sempre mais, superem aquilo que lhes é ensinado, não tenham receio de, no final, brilhar tanto ou mais que seus mestres. Não decidam restringir o seu interesse apenas às aulas, mas vivam a academia em sua plenitude. Não imitem o comportamento daquele estudante que escreveu numa carteira de aula de uma universidade espanhola: ?A sabedoria me persegue, mas eu sou mais rápido!?.

Clemente Ivo Juliatto, reitor da Pontifícia Universidade Católica do Paraná e integrante da Academia Paranaense de Letras, é pós-doutor em Administração Universitária pela Harvard University, em Cambridge, Massachusetts, EUA.

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