“Um menino, de quatro anos, caiu de um carro em movimento, dirigido pelo pai, por volta de 12h30 de ontem (quarta-feira) no Pilarzinho. Segundo a Polícia Militar, o tatuador, de 34 anos, discutia com a ex-mulher, da mesma idade. (…) No caminho, o casal começou a discutir por causa de pensão alimentícia. O tatuador entrou em alta velocidade na Rua Victor Benato e fez um cavalo-de-pau. (…) O carro foi parar fora da pista e a mulher saiu do veículo.
Ele deu marcha à ré no carro e fez outra manobra brusca para segui-la. Foi quando o menino caiu. Segundo o tatuador, a criança abriu a porta para ir atrás da mãe.”
O fato contado na matéria da repórter Janaína Monteiro, da edição de quinta-feira de O Estado, não tem explicação lógica. É impossível pensar que, por qualquer motivo, um cidadão iria discutir com a esposa na frente dos filhos, e em um momento de fúria daria um cavalo-de-pau no carro, e ainda não tomaria atitude qualquer para prevenir que seus filhos fossem jogados para fora do veículo nas manobras arriscadíssimas. Tudo isso está fora de propósito, mas tudo aconteceu, e foi na nossa cara.
Cada vez mais se vê a dissolução da unidade familiar. O que já seria impensável, a briga entre marido e mulher, não só virou regra como está escancarado nas ruas e avenidas das grandes cidades. Os casais discutem por tudo, ninguém admite ter sua opinião contestada, e o que começa às vezes por brincadeira acaba em tragédia.
Os grandes prejudicados nessas brigas banais entre pais e mães são os filhos. Crianças que perdem os exemplos de educação – e, sem sequer o respaldo de suas casas, acabam suscetíveis a tudo que veem na TV, na internet e nas ruas. São vítimas indefesas do que acontece em cada canto. Mesmo quando não têm nada a ver com a história, acabam sofrendo – como neste insólito caso do garoto que foi jogado de um carro em movimento.
Vivemos em um mundo cada vez mais perigoso. Sobram poucos portos seguros. Um deles é a nossa casa. Mas quando nem nossa casa oferece repouso, ficamos em um beco sem saída.