Milton Dallari

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A cada nova pesquisa é possível perceber que estamos diante de uma equação de difícil solução e com conseqüências danosas para o desenvolvimento da nação. A mais recente foi divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e indica que o País iniciará uma curva descendente em seu crescimento populacional nos próximos 50 anos, motivada pela queda das taxas de fecundidade no interior do País e na região Nordeste. Esses dados vêm ao encontro das recentes previsões da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), que prevê uma estabilização da taxa de crescimento nas próximas duas décadas, quando atingiremos a casa dos 225 milhões de habitantes.

Isso significa que haverá menos gente no mercado de trabalho, ao mesmo tempo em que um número cada vez maior de pessoas passará a depender dos benefícios pagos pelo Estado, e garantidos pela Constituição, para sobreviver. Isso nos coloca diante de um paradoxo em relação aos dias atuais. Os jovens enfrentam hoje dificuldades para ingressar no mercado. No futuro, esse contingente terá que se desdobrar para deixar o batente, seja pela exigência dos patrões ou pela imposição da lei.

A contratação e manutenção de aposentados nos postos de trabalho já é uma realidade de nosso tempo. É justificada pelas grandes corporações como uma necessidade para suprir a ausência de mão-de-obra qualificada. É uma oportunidade que permite aumentar a renda de quem estava em casa dependendo somente dos recursos da Previdência Social. Mas é uma opção. Quem tiver interesse, bata na porta da fábrica e se candidate a uma vaga, com a concorrência de outras pessoas.

O problema é que o futuro pode transformar isso em uma obrigação. Ao que tudo indica, a nova regra pode estipular em 40 anos o tempo mínimo de contribuição para o trabalhador deixar o mercado. A idade mínima para pendurar a chuteira ficaria em torno de 65 ou 67 anos para os homens e 60 para as mulheres. Para quem gosta de trabalhar, a mudança não vai fazer a menor diferença. Mas aqueles que sonham com um descanso na Terceira Idade terão de adiar seus planos a partir do momento em que as mudanças começarem a ser implementadas. O caixa do governo agradece pelos anos a mais, o aposentado nem tanto.

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Em meio a essa discussão, pouco se ouviu a respeito da valorização dos benefícios. É por isso que sempre insisto com os mais jovens para que comecem a fazer o pé-de-meia o quanto antes, para não terem de depender do benefício da Previdência no futuro. Futuro esse que a cada dia fica mais distante. É até provável que por volta do ano 2070 essas pessoas comecem a se queixar de que ?o Brasil é o país do passado?, numa alusão oposta ao bordão que ficou famoso no século passado, o de país do futuro.

Tenho quase certeza de que esses trabalhadores vão olhar para trás num misto de indignação e espanto, lembrando da época sofrida em que tiveram de batalhar para iniciar sua caminhada no mercado de trabalho. Vão ter que fazer o mesmo para sair dele, e encarar seriamente desde já a possibilidade de virar um empreendedor.

Milton Dallari é consultor empresarial, engenheiro, advogado e presidente da Associação dos Aposentados da Fundação Cesp. mdallari@decisaoconsultores.com.br

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