Otimismo e confian

A economia brasileira vai crescer na média de 4,8% ao ano entre 2009 e 2012. A previsão foi o ponto destacado da conferência apresentada pelo economista Luciano Coutinho, presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), aos participantes do 19.º Congresso Nacional de Executivos de Finanças (Conef), realizado essa semana em Campinas (SP).

Em posição diametralmente oposta àqueles que situam o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) entre 2,5% e 1%, em 2009, estimulando os pessimistas a vaticinar que o crescimento poderá escorregar para um índice próximo de zero em função da crise financeira dos mercados mundiais, Coutinho procurou transmitir uma mensagem de confiança aos empresários presentes, enfatizando que o Brasil está plenamente capacitado para opor resistência aos efeitos prejudiciais da falta de liquidez dos principais centros financeiros do planeta. Para o presidente do BNDES, que está se firmando como referência do governo em assuntos econômico-financeiros, não há exagero em apostar que o País também não sofrerá danos graves com a desaceleração do complexo de atividades produtivas, no próximo ano.

Segundo o noticiário, Coutinho mais uma vez se referiu à robustez dos fundamentos econômicos do País, apontando o sistema bancário como o exemplo mais apropriado para dar credibilidade a seu pronunciamento. Por sinal, os dois maiores bancos privados brasileiros (Bradesco e Itaú), no mesmo dia davam a conhecer seus balanços, quem sabe, para contribuir de modo eficaz na ampliação da tranqüilidade do mercado quanto aos níveis de exposição das instituições à inadimplência das empresas envolvidas em operações arriscadas com derivativos. O Bradesco obteve lucro de R$ 5,819 bilhões nos primeiros nove meses do ano (R$ 563 milhões a mais que em 2007) excluídos os ganhos extraordinários. No mesmo período, o resultado positivo do Itaú foi de R$ 6 bilhões, em comparação com os R$ 5,4 bilhões registrados no exercício passado.

O enfoque otimista de Luciano Coutinho, evidentemente, encontrou guarida no anúncio dos bancos, embora os resultados de ambos tenham sido consolidados bem antes do estouro da bolha do crédito imobiliário nos Estados Unidos e a fulminante contaminação da economia mundial. Contudo, como o sistema bancário brasileiro é “ultra-sólido” na apreciação do presidente do BNDES, numa seqüência lógica “a sociedade tem capacidade de consumo e o sistema empresarial é sólido e rentável, com condições para absorver essas perdas e continuar crescendo”.

Com base nesse raciocínio, Coutinho ratificou que o Brasil vai crescer 5,5% esse ano, além de garantir a expansão média anual de 4,8% entre 2009 e 2012. A base está na “fronteira de projetos de infra-estrutura altamente rentáveis” e “na disposição muito firme do governo em sustentar o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), com investimentos em infra-estrutura”. Esse é o principal mecanismo do governo para dar suporte ao crescimento da economia, com o devido destaque à relevância do mercado interno como valiosa reserva no contexto das dificuldades vividas pela economia globalizada.

Mesmo diante do travamento do mercado de crédito, ocorrência descartada pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, cujo efeito benéfico que se almeja duradouro mostrou reflexos imediatos no mercado de ações, o BNDES terá atuação firme para garantir a continuidade do ciclo de investimentos, embora não faça parte dos planos da instituição prestar auxílio a empresas exportadoras que tiveram perdas com derivativos. Para Luciano Coutinho, “o BNDES não está fazendo operações de socorro, porque não é hospital”. A alternativa recomendada às empresas em prejuízo foi a negociação com os bancos privados, embora não esteja afastada a possibilidade de empréstimos do banco estatal para projetos de exportação e investimentos, observadas as condições oferecidas a quaisquer empresas.

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