Tudo depende da intensidade dos ventos que hão de soprar sobre a política paranaense nos próximos meses. Poderá suceder, então, na eleição de 2006, a explícita declaração do apoio de Alvaro ao irmão Osmar, como candidato ao governo por hipotética aliança a ser formada, para efeito de raciocínio, pelas siglas PDT, PSDB, PFL e PTB.
É dessas probabilidades quase esotéricas que se tece a fluidez da matéria política, de resto um exercício de paixão, capaz de aproximar espíritos desavindos e levá-los a buscar a perspectiva comum de fazer triunfar o idealismo realista, em detrimento da acanhada e prejudicial visão unilateral.
A virtual candidatura de Osmar não é estranha aos meios produtivos do Estado, sobretudo na esfera dos grandes e médios empresários da agricultura, da agroindústria e do sistema cooperativista, que há muito vêem na pessoa do senador um político marcado pelo imperioso desígnio de tornar-se governador do Estado. Tanto que algumas manifestações concretas para caracterizar o pré-lançamento da idéia já aconteceram e outras estão marcadas para futuro breve.
No momento, em que pese a antecipação do debate sucessório, fato devido à falta de um projeto definido de governo, seguido de realizações concretas capazes de empolgar a massa, que propriamente ao açodamento dos potenciais candidatos, o senador Osmar Dias é o que leva a dianteira na bolsa de formulações para o ano que vem.
Caso venham os fados políticos a alinhar-se no partidor, no primeiro turno a eleição para o governo terá uma trinca da pesada: Requião, Osmar e Paulo Bernardo. De cara, o cenário exibe a perspectiva de uma das mais empolgantes pelejas eleitorais dos últimos anos.
Presidente regional do PDT, sigla que resistiu no Paraná graças à pertinácia dos focos getulistas e brizolistas do Sudoeste, Osmar não é imaturo a ponto de julgar-se em condição de lançar-se sozinho na luta pelo governo. A aproximação com o PSDB, PFL e PTB será o principal fator do fortalecimento e dos bons frutos da aliança que se constrói em torno de sua candidatura, onde haverá também espaço para partidos nanicos.
A cúpula estadual do PSDB, presidida pelo deputado estadual Valdir Rossoni, cujas maiores expressões são o prefeito Beto Richa e o presidente da Assembléia Legislativa, Hermas Brandão, vê com bons olhos o patrocínio da chapa liderada por Osmar, com um vice a ser escolhido entre os quadros do PFL ou PTB, reservada a vaga de senador a um vistoso rafastídeo de bico avantajado.
Pelas idas e vindas da política, o senador Alvaro Dias retornou ao PSDB, posto que em condição de inferioridade, haja vista a derrota na recente disputa interna pela presidência da executiva estadual por 30 votos a 15. No exercício do mandato, reza a tradição que Alvaro seria beneficiado pelo direito nato, embora o deputado Hermas Brandão reitere a disposição de respirar o ar seco de Brasília, conquanto a mudança de plenário o leve a ocupar uma cadeira na Câmara Alta. É outro nó cego.
Considerando a gestação do arranjo político capaz de chegar à vitória, não se despreze a garra com que Alvaro dispõe-se a lutar pela própria candidatura. Fez isso em duas oportunidades, depois de ter sido governador, perdendo para Jaime Lerner e Roberto Requião, embora não tenha arrefecido um tico no entusiasmo pela disputa. O diferencial para o senador é estar num partido sem exercer o comando, primeira vez que sente na carne o desconforto de resistir na planície, desde a presidência regional do PMDB.
Em faixa própria, mas valendo-se do sobrenome ilustre, Osmar consolidou imagem pessoal de seriedade no exercício do mandato renovado de forma insofismável em 2002, quando parcela exponencial da estrutura político-empresarial trabalhava com a hipótese de apoiar sua indicação ao governo. Entretanto, Alvaro não abria mão do espaço que julgava seu e, num lance destinado a alavancar seu favoritismo, fez de José Carlos Gomes Carvalho, o esfuziante Carvalhinho, não apenas o comandante-em-chefe da campanha, mas primeiro suplente de Osmar no Senado.
Carvalhinho presidia a poderosa Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), encaixando-se no contexto – nenhuma outra personalidade influente traria a mesma bagagem -, como legítimo avalista da melhor opção para o governo. Na prática, a hábil estratégia desenhada por Alvaro não rendeu o esperado, havendo hoje quem defenda a tese do completo distanciamento dos grandes empresários de sua candidatura no segundo turno, como resultado da fadiga natural da liderança classista exercida por Carvalhinho há tantos anos.
Com a candidatura de Osmar ocorreu o inverso, afinal, assumia-se como primeira escolha dos eleitores para o Senado – um voto suprapartidário -, mas pelo enorme bônus de ter-se tornado credor, ao longo do primeiro mandato, da inteira confiabilidade popular. Desde então, confirmou a vocação para a vida pública e, com o pragmatismo sereno dos predestinados, qualidade adquirida na maturidade, trata de remover as arestas da vereda que o levará a disputar, com reconhecida chance de vitória, o Palácio Iguaçu.
Ivan Schmidt é jornalista.