Os sustos de Congonhas

Quarta-feira, mais uma tarde de preocupação no Aeroporto de Congonhas. Depois das tragédias acontecidas no aeroporto encravado em São Paulo, qualquer ocorrência diferente assusta todo mundo. Foi uma pequena aeronave que derrapou na pista. As três pessoas que estavam no avião (piloto, co-piloto e passageiro) tiveram ferimentos leves e não correm risco de morte.

Só que este incidente, que infelizmente é costumeiro no Brasil, provocou uma onda de tensão e de complicação. Tensão porque Aeronaves não puderam pousar, vôos foram cancelados, alguns jatos foram transferidos para o aeroporto de Cumbica, em Guarulhos, e Congonhas ficou fechado por mais de uma hora. Complicação porque a avenida Washington Luís, principal via de acesso ao aeroporto, ficou engarrafada, prejudicando a chegada dos passageiros.

Enquanto isso, o poder público não apresenta uma solução viável para Congonhas. Aos poucos, as companhias aéreas retomaram seus vôos a São Paulo pelo “aeroporto urbano”, e o local segue sendo o principal eixo da aviação brasileira. O projeto da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), de diminuir o número de vôos de Congonhas, morreu na casca. E como não é possível nenhuma reforma na pista, ficamos à mercê da sorte a cada pouso e cada decolagem.

Para acabar com os sustos de Congonhas, só há uma solução: abdicar de Congonhas. O aeroporto terá que se transformar no que é hoje o Campo de Marte, um local para pequenas aeronaves e, quando muito, aviões de carga. É necessária, com urgência, a construção de outro aeroporto em São Paulo. Há áreas disponíveis, e a própria Anac tinha aludido esta possibilidade quando do trágico acidente com o avião da TAM. Agora, como ninguém mais lembra disso, o assunto ficou esquecido.

E volta à tona quando acontece um susto como o de quarta-feira. Será a aviação comercial brasileira (seja ela das grandes companhias ou das pequenas aeronaves) sempre refém da claudicante estrutura de Congonhas? Vale a pena manter um aeroporto só pelo fato de ser perto do centro de São Paulo? As respostas estão com a Anac e com a Infraero.

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