Diz a antiga lenda política que certos governantes são tão populares que, quando chega a hora da sucessão, são capazes de eleger qualquer pessoa, ou até mesmo um poste. Há pelo menos dois “postes” relevantes na sucessão municipal deste ano. Ambos devem ser eleitos no primeiro turno, dia 5 de outubro, apesar de terem iniciado bem atrás dos primeiros colocados nas pesquisas. Na semana que passou, entretanto, tiveram praticamente a confirmação de seus triunfos nos números da pesquisa Datafolha. Em comum, o fato de serem apoiados por governadores e prefeitos com alta popularidade.

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O caso de Recife é exemplar. Totalmente desconhecido no cenário nacional, e também um novato em eleições majoritárias, o deputado estadual João da Costa (PT) surgiu como um “outsider” na campanha. O favorito era o deputado federal Mendonça Filho (DEM). Mas a força dos seus principais apoiadores – o atual prefeito de Recife, João Paulo Lima (PT), e o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB) – levou João da Costa a disparar nas pesquisas, chegando a (segundo o Datafolha) 45% das intenções de voto.

Apoiado por coligação de catorze partidos, João da Costa está saindo do quase ostracismo para comandar uma das maiores capitais do Brasil.

Mais impressionante só a evolução de Márcio Lacerda (PSB) , o “poste” do momento. Obscuro secretário municipal, Lacerda foi guindado à candidatura para prefeito de Belo Horizonte pelos seus padrinhos políticos, o governador de Minas Gerais Aécio Neves (PSDB) e o atual prefeito da capital mineira, Fernando Pimentel (PT). Do nada, pois era desconhecido, chegou a 42% nos números do Datafolha – dobrando de índice entre as aferições dos dias 22 de agosto e 5 de setembro.

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Márcio será eleito e será festejado pela união mais esdrúxula destas eleições. Uma coligação liderada pelo PSB, que tem PT, PTB, PR e até o PV – e ainda tem o apoio “informal” do PSDB (informal só no papel, pois é ostensivo nas ruas e nos palanques). Amparado nas popularidades recordes de Aécio e Pimentel, Lacerda será prefeito – e aí saberemos se o “poste” mereceu chegar lá.