Os planos de Edir Macedo

“Tudo é uma questão de engajamento, consenso e mobilização dos evangélicos. Nunca, em nenhum tempo da história do evangelho no Brasil, foi tão oportuno como agora chamá-los de forma incisiva a participar da política nacional. A potencialidade numérica dos evangélicos como eleitores pode decidir qualquer pleito eletivo, tanto no Legislativo, quanto no Executivo, em qualquer que seja o escalão, municipal, estadual ou federal.”

O bispo Edir Macedo, maior líder da Igreja Universal do Reino de Deus, escreve assim no livro Plano de poder, escrito em parceria com o jornalista Carlos Oliveira e lançado na semana passada. Momento, por sinal, oportuno para tal lançamento, pois faltam duas semanas para as eleições municipais, e trata exatamente deste assunto, como se percebe no início deste texto e na matéria da Agência O Globo, publicada na edição de domingo de O Estado.

Edir Macedo sempre demonstrou sua megalomania. São da Igreja Universal os templos mais suntuosos do Brasil, são também os maiores (o de Salvador pode receber quase dez mil pessoas, um assombro). O dinheiro que sua igreja evangélica paga à TV Record – da qual o bispo Macedo é o acionista majoritário – por “propaganda” faz a emissora investir cada vez mais e se aproximar gradativamente da audiência da TV Globo.

Não contente, resolveu ampliar sua participação na mídia comprando emissoras de TV, rádio e jornais por todo o País. Seguindo o exemplo de seu maior rival, Edir Macedo tem hoje um conglomerado de comunicação sob sua aba, além de vários e vários parceiros pelo Brasil.

Faltava apenas o passo final -chegar na política para ficar. Por enquanto, é uma presença subalterna, com o PRB alinhado com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (o vice-presidente José Alencar é filiado ao partido). Agora, é a vez do “ataque”, com o senador e bispo Marcelo Crivella disputando a prefeitura do Rio de Janeiro. Era o favorito, agora é o segundo colocado e pensa no segundo turno. Caso vença, torna-se potencial candidato ao governo do Rio e, quem sabe para 2014 ou 2018, à Presidência da República.

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