Do nada, eles surgiram em várias ruas de Guarapuava, na região central do Paraná. Destaque ontem na edição de O Estado, o assunto foi relatado pela repórter Mara Andrich: “A cidade de Guarapuava, na região centro-sul do Paraná, está cheia de outdoors, assinados pelo ex-deputado estadual Luiz Fernando Ribas Carli Filho, com o seguinte texto: ‘Agradeço a Deus pela vida e a todos que estão orando por mim’. Não se sabe quantos, mas pessoas que moram no local disseram à reportagem de O Estado que conseguiram contar, no mínimo, dez placas em diversos pontos da cidade. Segundo informações de moradores da cidade, os outdoors estão em pontos nobres de Guarapuava”.

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Carli Filho, todos sabem, protagonizou um terrível acidente em maio, que acabou vitimando os jovens Gilmar Rafael Souza Yared e Carlos Murilo de Almeida. O caso continua sob investigação, inclusive com adiamento da conclusão do inquérito. Mas, coincidência ou não, os outdoors surgiram exatamente na semana em que o ex-deputado reapareceu na mídia, dando entrevistas e sendo flagrado sempre em locais religiosos. Ele diz estar aqui em uma “missão”.

Interessante. De quem não tinha nenhuma lembrança do acidente (foi o que disse ao delegado que cuida do caso), de quem esteve correndo seríssimo risco e sequer podia ser filmado ou fotografado, a recuperação de Carli Filho é sensacional. O que é bom, claro. Ninguém quer que o ex-deputado estadual fique com sequelas irrecuperáveis.

O que todos querem é justiça. Todos querem que o caso seja encerrado logo, e que não entre no vácuo reservado a algumas investigações (como a do assassinato da menina Rachel Genofre). Todos querem que as evidências sejam provadas – ou desmentidas – e que o assunto seja definitivamente encerrado, com punições, caso seja realmente comprovada a culpa do ex-deputado Carli Filho.

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A sociedade paranaense está cansada de dissimulação e de tergiversações. Daí a surpresa e o susto com os outdoors da discórdia. Parecem ser, no final das contas, apenas as primeiras tentativas do político voltar à Assembleia Legislativa em 2010.