Estamos a oito dias da eleição municipal e, em Curitiba ou em qualquer outra cidade do País, não se comenta nada sobre o pleito proporcional. No dia 5 serão eleitos 38 vereadores na capital do Paraná e outros tantos em todo o Estado. Mas ninguém fala sobre o assunto, a maioria da população sequer sabe em quem vai votar (e falta pouco mais de uma semana) e alguns chegam a duvidar da capacidade da maioria dos candidatos às câmaras municipais.

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Isto tem uma explicação – a falta de confiança da sociedade com os representantes do Poder Legislativo. Há corrupção e desvios de conduta em todos os setores, mas senadores, deputados (estaduais e federais) e vereadores ficaram com a fama de serem os principais “vilões” na luta pela limpeza ética do País. Alguns escândalos fizeram com que a marca da falta de decoro ficasse impregnada no legislativo.

Some a isso a incompetência da maioria dos candidatos e o resultado é a geração de ilustres desconhecidos que inunda esta eleição. Em qualquer cidade a moda é não ter um nome, e sim uma “identificação”. É o fulano do bairro xis, é a beltrana da panificadora e por aí vai. O fato de os vereadores serem os representantes mais próximos da população não justifica o fato de eles restringirem ao máximo o seu alcance. Eleitos, serão vereadores de Curitiba – ou de Maringá, ou de Ponta Grossa, ou de Telêmaco Borba.

Outra situação constrangedora é a avalanche de propostas absurdas. Há de todo tipo, desde passarela exclusiva para animais até a de aumento de salário mínimo e redução de jornada de trabalho (como se isso fosse atribuição de vereador). Além disso, alguns candidatos tentam se apropriar de organizações e apregoar que são os verdadeiros representantes de determinadas categorias.

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Enquanto isso, a população se vê sem opções, apesar de centenas de milhares de pessoas se arvorarem a ser candidatos. Cada aparição no horário eleitoral gratuito se transforma em uma piada involuntária – não é à toa que os humoristas não gostam deste período. É que aumenta a concorrência.