Duas notícias da editoria de Economia de O Estado, ambas assinadas pelo repórter Newton Almeida, chamaram a atenção – e, infelizmente, são temas de impacto negativo.
A primeira é da edição de terça-feira: “O saldo da balança comercial do Paraná fechou 2008 com um superávit 79,7% menor do que o verificado no ano anterior. Enquanto que em 2007 o saldo entre o valor exportado e o volume de importação foi de US$ 3,33 bilhões, no ano passado esse valor foi de apenas US$ 676 milhões”.
A segunda é da edição de ontem: “O número de trabalhadores empregados na indústria paranaense caiu 1,6% em novembro no ano passado, em relação ao mesmo mês de 2007. Porém, os que permanecera na ativa estão ganhando mais. O valor da folha de pagamento real, no período, aumentou 5,1% no mesmo período”.
Os dois fatos se entrelaçam. Se há menor número de trabalhadores empregados, é que nossa produção diminuiu. E, por conta disso, aumentou a necessidade de importações, que aumentaram 61,5% em 2008 em relação a 2007. E isto significa a redução brutal da balança comercial, que encolheu a um quinto do arrecadado no ano anterior.
Apesar da renda média dos trabalhadores ter subido, vê-se uma redução no nível de emprego nesta chegada definitiva da crise internacional ao Brasil. E se houve queda ainda maior em dezembro, como se especula no mercado, com reflexo direto na produção, o cenário pode ficar ainda mais sombrio.
Surgem, portanto, os principais gargalos da economia paranaense: o fechamento de postos de trabalho e o aumento das importações. Como as duas situações não têm solução aparente, para a economia do Estado fechar 2009 no azul é necessária uma tomada de atitude do Executivo. Tal como outros estados (São Paulo e Minas Gerais, principalmente), o governo precisa incentivar as empresas a continuar produzindo, reduzindo tarifas e facilitando negociações.
Se não fizermos isso, teremos que contar com a celestial ajuda de São Pedro para a safra agrícola literalmente salvar a lavoura.