Clemente Ivo Juliatto

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O berço de tudo o que temos e o exemplo de vida dos inventores, dos santos e de tantas pessoas honradas servem de motivação e inspiração na construção de um futuro melhor. O jovem, em especial, deve sentir o agradável dever de reconhecer o idealismo, a criatividade, a determinação e o empreendedorismo desses heróis e mártires. Desprendimento, espírito altruísta e criatividade motivam a trajetória para crescer e se realizar no ambiente familiar, na sociedade e em harmonia com o mundo e com a natureza.

No dia-a-dia, vê-se quão importante é o reconhecimento dos nossos antepassados e o fulgor das esperanças que eles alcançaram. A partir desse sentimento e percepção, com entusiasmo e sensibilidade, devemos continuar a caminhada e a prática do bem, inclusive visando garantir às novas gerações suportes para minorar seus sofrimentos e angústias, enriquecer os conhecimentos e os modos de vida, favorecer a felicidade e a realização pessoal e profissional.

O ideal, os feitos e a memória de mulheres e homens ilustres e abnegados nos enchem de coragem e disposição para prosseguir, com igual ou, até, maior empenho. A disposição de servir e fazer o bem à humanidade, o talento construtivo, o trabalho persistente, a dedicação incansável desses idealistas serão sempre virtudes reconhecidas pelo valor que elas concentram. Sigamos os passos e os exemplos com a mesma determinação.

Maquiavel dizia que onde a vontade é grande, as dificuldades não são imensuráveis. É certo que a vida de cada ser vai sempre apresentar desafios; devemos fazer o que é preciso e o que ela exige para melhorá-la, não o que, simplesmente, queremos e gostamos de fazer. Isso foi certo no passado e continua verdadeiro hoje e sempre. A prática do bem, a gratidão, a honestidade, a lealdade e a solidariedade são visões e valores iguais de todos os tempos; eles nos asseguram vitórias institucionais e desenvolvimento social (J.Patrick Murphy).

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Já há dois milênios, Cícero ensinava que os homens se assemelham a deuses, quando fazem o bem à humanidade. Mais modernamente, Thomas Jefferson afirma algo semelhante, quando sustenta que a essência da virtude é fazer o bem aos outros. Longe, portanto, qualquer desânimo ao se deparar com a primeira pedra no meio do caminho.

Digo isso porque, queixar-se, virou lugar-comum e, convenhamos, uma atitude chata, tanto para quem a pratica quanto para quem a ouve. É algo inútil, quando se depara com pessoas pouco sensíveis. Soluções inteligentes são a união de potenciais e esforços, as alianças estratégicas e as ações comunitárias e humanitárias. Essas dão alento e abrem novas oportunidades de convivência. A globalização da solidariedade e a entreajuda auxiliam a sobrevivência terrena e a preservação do meio ambiente.

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Não acredito em metas abstratas com formulações retóricas, por mais atraentes que sejam, se elas não puderem ser traduzidas em passos concretos, gradativos e, também, mensuráveis. Isso porque, se assim não for, impossível termos a certeza de algum dia vê-las alcançadas. O amanhã já começou, porque o projeto do futuro se faz hoje, com qualidade em todas as ações e, até, nos pensamentos.

Há muitas alternativas e sonhos fecundos para garantir às novas gerações o desenvolvimento social e um futuro melhor, uma das quais é ampliar as oportunidades educacionais. Conhecimento, se não for renovado e ampliado, está sujeito a depreciação, desgaste e corrosão. Em contrapartida, pode transformar-se em alavanca para melhoria cultural, industrial e econômica das pessoas, da sociedade e das nações que o valorizam.

Clemente Ivo Juliatto é reitor da Pontifícia Universidade Católica do Paraná e integrante da Academia Paranaense de Letras.