O Brasil é considerado um dos países mais corruptos do mundo.
Estamos numa terra sem lei?
Não! Lei é o que não falta no Brasil. E tem lei para todos os gostos: anacrônicas, ambíguas, complementares, conflitantes, pétreas, nebulosas… Por conta disso, as bibliotecas jurídicas estão abarrotadas de códigos comentados, jurisprudências, doutrinas. Só que, apesar de tantas leis, a corrupção e a violência crescem, enquanto a credibilidade das instituições cai.
O fato é que estar livre ou preso parece ser uma questão de poder aquisitivo, de influência, raramente de justiça.
Sai aristocracia, entra burguesia; sai direita, entra esquerda, entremeadas por esquerda-direita ou não; o povo continua vítima. Chegamos ao absurdo de ver, em eleição recente, uma facção criminosa propor, abertamente, lançar candidatos para representarem seus ?interesses? no Congresso. O caso foi rapidamente abafado, mas o que para alguns foi um ato básico de moralidade, para outros pode ter sido, apenas, medo de concorrência.
É preciso, sem dúvida, que a legislação assegure o direito de defesa a todo cidadão. Só que isso não deve ser bonito apenas no papel ou no discurso. Infelizmente, a realidade nos mostra que, por detrás de muita pompa e circunstância, os meandros e ambigüidades legais, o tráfico de influências e a corrupção favorecem amplamente criminosos, contraventores e maus políticos. Com isso, incentivam em vez de inibir.
Que legislação é essa que pune exemplarmente quem furta para comer, mas inocenta quem desvia dinheiro público destinado a programas sociais ou de qualquer outra espécie, e priva milhares de comer?
E o Brasil é considerado um dos países mais corruptos do mundo… Curiosamente, também é um dos que têm maior carga tributária, ou seja: os contribuintes pagam essa conta, enquanto os atores inconseqüentes (alguns mal-intencionados) que protagonizam essa peça tratam o povo como figurantes da sociedade.
Existem honrosas exceções, sem dúvida, mas parecem infinitamente poucas diante do poder de certas confrarias de canastrões sociais, que com suas atuações desastrosas, técnica, ética e moralmente falando, têm sido responsáveis pela maioria das mazelas de nosso País. E apesar disso, eles se crêem exemplos de sucesso e virtude, celebrados pela mídia e pelas elites sociais.
São exemplos, sim. Mas do que irresponsabilidade, insensibilidade, egoísmo e megalomania, investidos de poder, podem causar de mal a uma nação.
Talvez pensem que são superiores ao povo, por tradição heráldica, herança política, argúcia ou posses, muitas de origem duvidosa; mas são, na verdade, o pior subproduto da raça humana: parasitas que se alimentam de miséria, crime, fome e outras formas de violência.
Só que existem leis que eles não podem mudar, nem ?dar um jeitinho?. E um dia eles serão julgados por elas…
Adilson Luiz Gonçalves é escritor, engenheiro e professor universitário.