Os atos que surpreendem

Guarujá, São Paulo, sexta-feira. Um jovem, sob efeito de drogas, mantém uma jovem turista refém por quatro horas. A garota, que estava com o filho dela na praia, ficou sob a mira de um revólver todo este tempo. O seqüestrador pede um barco para fugir, depois um carro com tanque cheio. Por volta das 18h, os policiais pedem aos jornalistas que desliguem os seus equipamentos. Pouco depois, o jovem tira a arma da cabeça da refém e atira contra a própria face. Morre a caminho do hospital.

Curitiba, Paraná, segunda-feira. Uma jovem, grávida, pára um carro na Praça Osório, centro da cidade, e diz que vai se matar. Atira no chão e obriga a Polícia Militar (PM) a fechar a praça e as ruas próximas, gerando irritação nos motoristas e pânico nos que estavam a pé. Ela dizia não querer mais viver por causa dos problemas com o namorado. Após horas de tensão – muitas delas transmitidas ao vivo pela TV, ela escapa do cerco da polícia atirando o carro contra uma moto da PM. Filha de policiais, ela vai para casa e é imediatamente levada para uma clínica psiquiátrica.

O que há de semelhante nestes dois atos que surpreenderam a opinião pública? Primeiro, a reação de jovens perante as dificuldades. Em São Paulo, o jovem fumava maconha, e ficou com medo de ser abordado pelos policiais. A atitude que decidiu tomar foi a de atacar uma moça e mantê-la como refém. Em Curitiba, a menina ficou decepcionada com o fim de seu relacionamento amoroso. Transtornada, decidiu (em tese) se matar em pleno centro da capital do Estado.

Ambos, ao agirem de maneira desesperada, buscavam no fundo chamar a atenção para seus problemas. O garoto do Guarujá lamentava, no período em que mantinha uma refém na mira de seu revólver, do fato da mãe também estar envolvida com drogas. Queria, no final das contas, resolver sua vida, fugir dos problemas. A curitibana precisava aparecer para tentar resolver sua pendência com o namorado. A vantagem dela é o fato de ser filha de policiais -recebeu melhor educação, e também terá “privilégios” durante o processo que terá que responder.

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