Os apuros da pol

Curitiba, o Paraná, o Brasil. Todos clamam por justiça, todos esperam ansiosamente a descoberta do assassino da menina Rachel, de 9 anos, brutalmente morta na segunda-feira passada e deixada na rodoferroviária da capital do Estado. A imprensa do País inteiro voltou seus olhos para cá, esperando que nossa polícia conseguisse resolver o caso com brevidade. Mas está difícil. Dois suspeitos foram presos, um já foi solto e o outro pode não estar envolvido com o crime. Mas o que está acontecendo?

A polícia está passando apuros com essa história. A pressão é muito forte, da mídia, da sociedade e das autoridades, que desejam um fim rápido e certo para a busca do assassino de Rachel. O choque produzido pela morte da menina só será atenuado com o anúncio da prisão de quem cometeu o crime. E na tentativa de acelerar as investigações, a polícia corre o grande risco de acusar quem não tem culpa.

Aconteceu isto com o primeiro detido, no fim de semana passado. Rapidamente ele foi solto por falta de provas. Domingo, foi preso em Itajaí, Santa Catarina, Jorge Luiz Pedroso Cunha, até agora o principal suspeito da morte de Rachel. Ele tem antecedentes de crimes semelhantes, era foragido da Justiça por ter molestado um garoto em Paranaguá. Mas as informações dão conta de que Jorge Luiz não teria saído de Itajaí nas últimas semanas – e, portanto, não poderia ter sido ele a cometer o crime.

Fica a polícia em um enorme impasse. Se os suspeitos que se assemelhavam aos retratos falados e às características do crime não tiverem nada a ver com o fato, qual será o rumo das investigações? Como será encontrado o responsável pelo assassinato de Rachel?

Cabe outra pergunta – será que nós, mídia e sociedade, não estamos esperando uma solução mágica para o caso? Se as provas são escassas, é difícil exigir rapidez em uma investigação deste porte. E, não esqueçamos, a cobertura da imprensa maximiza os atos da polícia.

Enquanto isto, mais uma criança (8 anos) é encontrada morta, agora em Castro, em estado semelhante ao de Rachel. Que mundo é este?

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